Terça-feira, Novembro 29, 2005
As ministras e as eleições 2006
Há pouco tempo a Alemanha foi notícia quando pela primeira vez em sua história o país elegeu uma mulher para ocupar o cargo de primeiro-ministro. Ontem foi a vez da Argentina tomar conta do noticiário quando Felisa Miceli passou a chefiar o Ministério da Economia. É a primeira vez no país que uma mulher ocupa este cargo.
Fiquei pensando o que do Brasil poderia ser notícia lá fora nessa mesma linha de inetismo. Lembrei que o país ainda não teve uma mulher na presidência. Quem chegou mais perto disso foi Rita Camata sendo vice na chapa de José Serra na campanha de 2002.
Para as eleições do ano vem Heloisa Helena é a mais cotada para o cargo. Isso em uma rápida pesquisa em comunidades do orkut. Mas fica a questão já levantada por aqui: merece ser presidente alguém que carrega uma aura simbólica ou alguém que tem um projeto de governo bem fundamentado? E isso, independente do gênero da pessoa.
Domingo, Novembro 27, 2005
Dia do Ctrl+C Ctrl+V
O título já diz tudo, né... Foi uma postagem retirada do site Nova E.
Tudo na base do copyleft, viu?
Mutley, faça alguma coisa
(Por Elenara Iabel Cariboni)
A política tem hoje tanta serventia como a carruagem da rainha da Inglaterra e a escrivaninha de trabalho do presidente Lula: ajudam a ornamentar fotografias oficiais. Mas, as aparências precisam ser mantidas, os palácios precisam estar funcionando, a criadagem precisa estar em atividade para dar impressão de movimento; os parlamentares precisam comparecer nas câmaras, assembléias, congressos legislativos para dar nomes às praças, instituir o dia do canguru perneta, dar medalhas a apresentadores de televisão; os tribunais precisam estar abertos, as togas precisam distribuir justiça para o lado mais forte. Hoje em dia, tanto faz votar em um candidato ou no seu oposto para a presidência da República, o vencedor seguirá sempre as mesmas regras que beneficiem o mercado.E, ainda que a história nos mostre que a humanidade, sob o comando de algumas centenas de ególatras, tem sido forçada - ou induzida - a escolher o caminho oposto ao da conciliação e da consensualidade, estou certa de que não podemos aceitar tais fatos como se eles fossem a prova irrefutável de que a natureza humana jamais mudará e de que jamais poderemos implantar sobre a Terra um sistema de relações políticas no qual a pluralidade, o respeito mútuo e a solidariedade sejam as principais regras.Tu lembra do Mutley? Aquele cachorro co-piloto de Dick Vigarista da Corrida Maluca, que só pensava em medalha? Toda hora, a cada feito só sabia dizer com uma voz rouca: “medalha, medalha, medalha”. A Corrida Maluca foi talvez um dos desenhos mais superpopulosos da época, mais de vinte competidores - entre homens, uma mulher, bichos e alguns seres esquisitos - espalhados em onze carros, que corriam por várias trilhas, estradas, caminhos. Alguns personagens eram mais populares, faziam mais sucesso que os outros. Ao lembrar do desenho, qual deles é inesquecível? Penélope Charmosa? Dick Vigarista? Quadrilha da Morte? hehehehe...Mutley, é certo! Um cachorro com a risada mais difícil de ser imitada dos desenhos. O enredo do desenho era sempre o mesmo: quem chega primeiro à linha de chegada. Praticamente não havia regra nenhuma, um carro comum podia correr ao lado de um avião, Dick Vigarista sempre livre para fazer o que bem entendesse para atrapalhar os adversários. Metade do desenho consistia nas falcatruas de Dick: a elaboração do plano macabro e o respectivo se deu mal, preguinhos, óleo e engenhocas destruidoras e a derrota, líquida e certa. Sempre à frente, ele sempre se adiantava dos demais... era só continuar à frente e ganhar a corrida. Mas, não! Ele queria trapacear e nunca se dava bem no final. Todos passavam e ele ficava perdendo tempo com seu plano infalível, acabava em último. E, além de não ter vencido sequer uma corrida em vários episódios, ele ainda tinha que aturar a risadinha sarcástica de seu cão-cúmplice. Alias, falando do Mutley, tinha sempre um quadro em que o Mutley estava sonhando e o Dick Vigarista tentava acordá-lo: "Mutley, voce nao é Bungadin, nem um rei que foi coroado...". Terminava com o Mutley rindo. Era o maximo! A semelhança da personalidade do Mutley com algumas pessoas não é coincidência. Afinal, “Mutleys” são mais comuns do que se imagina. Existem duas formas de encarar uma trilha. A primeira é seguir os caminhos marcados, como ovelhas obedientes. A segunda envolve mais ousadia, característica que diferencia os homens dos roedores sujos e lamacentos que habitam o subsolo das metrópoles.Embora seja claro que a liberdade pessoal é uma ilusão, o conceito de liberdade pessoal tem grande significado em nossa cultura, sendo ninguém que se resume à estruturas, constituindo antes um indivíduo inconfundível e singular sem, no entanto, poder subtrair-se às estruturas. Ao contrário da liberdade, igualdade é sempre uma dimensão social, não individual, e ocorre sempre dentro de um grupo social, ou entre grupos sociais, e não entre indivíduos isoladamente considerados. Trata-se de compreender o problema das diferenças em planos diversos: na dimensão social-estrutural que diz respeito à diferenças entre disparidades econômicas, racismo, antisemitismo, sexismo... O homem, sozinho, não representa a humanidade e a mulher, antes de ser um sexo, é um indivíduo, por exemplo.Não há dúvida de que o reconhecimento pela realização de um trabalho seja importante. No entanto, dependendo do tamanho da importância que se dá a essa necessidade de reconhecimento, pode-se acabar sofrendo em função disso. Essa necessidade de reconhecimento jamais pode ser maior ou mais importante do que a realização do trabalho em si. Não posso permitir que a vaidade administre o ego, que costuma ser carente. Precisaria monitorar o nível dessa carência. Caso contrário, passaria a agir como um Mutley, sempre querendo medalhas por cada milímetro de sucesso de cada ação. Ah, deu certo! funcionou! Que bacana... Será que devo cobrar que a sua opinião seja a minha e que seja adotada? É bem diferente... exercício diário: manter o espírito crítico alerta e ao mesmo tempo discreto, principalmente quando tenho que avaliar meu próprio esforço e trabalho. Eis a questão. Considerando que o que se espera é, no mínimo, um trabalho muito bem realizado, é prudente reconhecer que o silêncio por parte das pessoas, em muitas situações, constitui-se em uma forma de aprovação do que foi feito. Quando se analisa o comportamento do Mutley, percebe-se que seu erro não está, necessariamente, em querer a medalha. Seu erro está no fato de tornar a insistente conquista da medalha muito mais importante do que o próprio feito. Com o tempo se passa a fazer isso sem perceber e o dia a dia passa a ser uma busca incessante por “medalhas” e reconhecimentos. Sem dúvida, uma postura perigosa em qualquer ambiente e em qualquer situação. O sofrimento costuma ser do tamanho da expectativa."Já somos o esquecimento que seremos, a poeira elementar que nos ignora, que não foi Adão e que é agora todos os homens. Somos apenas duas datas: a do princípio e a do término. Não sou o insensato que se aferra ao mágico som de seu próprio nome. Penso com esperança naquele homem que não saberá o que fui sobre a terra. Abaixo do indiferente azul do céu, esta meditação é um consolo." (Esquecimento - Jorge Luis Borges)Mutley, faça alguma coisa!
Tudo na base do copyleft, viu?
Mutley, faça alguma coisa
(Por Elenara Iabel Cariboni)
A política tem hoje tanta serventia como a carruagem da rainha da Inglaterra e a escrivaninha de trabalho do presidente Lula: ajudam a ornamentar fotografias oficiais. Mas, as aparências precisam ser mantidas, os palácios precisam estar funcionando, a criadagem precisa estar em atividade para dar impressão de movimento; os parlamentares precisam comparecer nas câmaras, assembléias, congressos legislativos para dar nomes às praças, instituir o dia do canguru perneta, dar medalhas a apresentadores de televisão; os tribunais precisam estar abertos, as togas precisam distribuir justiça para o lado mais forte. Hoje em dia, tanto faz votar em um candidato ou no seu oposto para a presidência da República, o vencedor seguirá sempre as mesmas regras que beneficiem o mercado.E, ainda que a história nos mostre que a humanidade, sob o comando de algumas centenas de ególatras, tem sido forçada - ou induzida - a escolher o caminho oposto ao da conciliação e da consensualidade, estou certa de que não podemos aceitar tais fatos como se eles fossem a prova irrefutável de que a natureza humana jamais mudará e de que jamais poderemos implantar sobre a Terra um sistema de relações políticas no qual a pluralidade, o respeito mútuo e a solidariedade sejam as principais regras.Tu lembra do Mutley? Aquele cachorro co-piloto de Dick Vigarista da Corrida Maluca, que só pensava em medalha? Toda hora, a cada feito só sabia dizer com uma voz rouca: “medalha, medalha, medalha”. A Corrida Maluca foi talvez um dos desenhos mais superpopulosos da época, mais de vinte competidores - entre homens, uma mulher, bichos e alguns seres esquisitos - espalhados em onze carros, que corriam por várias trilhas, estradas, caminhos. Alguns personagens eram mais populares, faziam mais sucesso que os outros. Ao lembrar do desenho, qual deles é inesquecível? Penélope Charmosa? Dick Vigarista? Quadrilha da Morte? hehehehe...Mutley, é certo! Um cachorro com a risada mais difícil de ser imitada dos desenhos. O enredo do desenho era sempre o mesmo: quem chega primeiro à linha de chegada. Praticamente não havia regra nenhuma, um carro comum podia correr ao lado de um avião, Dick Vigarista sempre livre para fazer o que bem entendesse para atrapalhar os adversários. Metade do desenho consistia nas falcatruas de Dick: a elaboração do plano macabro e o respectivo se deu mal, preguinhos, óleo e engenhocas destruidoras e a derrota, líquida e certa. Sempre à frente, ele sempre se adiantava dos demais... era só continuar à frente e ganhar a corrida. Mas, não! Ele queria trapacear e nunca se dava bem no final. Todos passavam e ele ficava perdendo tempo com seu plano infalível, acabava em último. E, além de não ter vencido sequer uma corrida em vários episódios, ele ainda tinha que aturar a risadinha sarcástica de seu cão-cúmplice. Alias, falando do Mutley, tinha sempre um quadro em que o Mutley estava sonhando e o Dick Vigarista tentava acordá-lo: "Mutley, voce nao é Bungadin, nem um rei que foi coroado...". Terminava com o Mutley rindo. Era o maximo! A semelhança da personalidade do Mutley com algumas pessoas não é coincidência. Afinal, “Mutleys” são mais comuns do que se imagina. Existem duas formas de encarar uma trilha. A primeira é seguir os caminhos marcados, como ovelhas obedientes. A segunda envolve mais ousadia, característica que diferencia os homens dos roedores sujos e lamacentos que habitam o subsolo das metrópoles.Embora seja claro que a liberdade pessoal é uma ilusão, o conceito de liberdade pessoal tem grande significado em nossa cultura, sendo ninguém que se resume à estruturas, constituindo antes um indivíduo inconfundível e singular sem, no entanto, poder subtrair-se às estruturas. Ao contrário da liberdade, igualdade é sempre uma dimensão social, não individual, e ocorre sempre dentro de um grupo social, ou entre grupos sociais, e não entre indivíduos isoladamente considerados. Trata-se de compreender o problema das diferenças em planos diversos: na dimensão social-estrutural que diz respeito à diferenças entre disparidades econômicas, racismo, antisemitismo, sexismo... O homem, sozinho, não representa a humanidade e a mulher, antes de ser um sexo, é um indivíduo, por exemplo.Não há dúvida de que o reconhecimento pela realização de um trabalho seja importante. No entanto, dependendo do tamanho da importância que se dá a essa necessidade de reconhecimento, pode-se acabar sofrendo em função disso. Essa necessidade de reconhecimento jamais pode ser maior ou mais importante do que a realização do trabalho em si. Não posso permitir que a vaidade administre o ego, que costuma ser carente. Precisaria monitorar o nível dessa carência. Caso contrário, passaria a agir como um Mutley, sempre querendo medalhas por cada milímetro de sucesso de cada ação. Ah, deu certo! funcionou! Que bacana... Será que devo cobrar que a sua opinião seja a minha e que seja adotada? É bem diferente... exercício diário: manter o espírito crítico alerta e ao mesmo tempo discreto, principalmente quando tenho que avaliar meu próprio esforço e trabalho. Eis a questão. Considerando que o que se espera é, no mínimo, um trabalho muito bem realizado, é prudente reconhecer que o silêncio por parte das pessoas, em muitas situações, constitui-se em uma forma de aprovação do que foi feito. Quando se analisa o comportamento do Mutley, percebe-se que seu erro não está, necessariamente, em querer a medalha. Seu erro está no fato de tornar a insistente conquista da medalha muito mais importante do que o próprio feito. Com o tempo se passa a fazer isso sem perceber e o dia a dia passa a ser uma busca incessante por “medalhas” e reconhecimentos. Sem dúvida, uma postura perigosa em qualquer ambiente e em qualquer situação. O sofrimento costuma ser do tamanho da expectativa."Já somos o esquecimento que seremos, a poeira elementar que nos ignora, que não foi Adão e que é agora todos os homens. Somos apenas duas datas: a do princípio e a do término. Não sou o insensato que se aferra ao mágico som de seu próprio nome. Penso com esperança naquele homem que não saberá o que fui sobre a terra. Abaixo do indiferente azul do céu, esta meditação é um consolo." (Esquecimento - Jorge Luis Borges)Mutley, faça alguma coisa!
Sábado, Novembro 26, 2005
Trocando a ética pelo bolso

Um projeto de lei que permite a prática do aborto no Brasil pode ser votado ainda este mês na Congresso. A iniciativa partiu da deputada (e médica) Jandira Feghali que nos últimos dias vêm conversando com seus colegas a respeito, já que observou que os debates estão alternando entre questões religiosas e científicas. A polêmica já invadiu os corredores do Congresso e foi até feita uma audiência pública no último dia 22, que reuniu médicos, cientistas e personalidades.
Um dos argumentos utilizados para a aprovação da lei é que 25% das mortes maternas são causadas por abortos ilegais, causando um déficit orçamentário de mais de 30 milhões ao SUS, por ano. A tendência, então, é que se esqueça as questões éticas para se discutir o bolso.
Para acentuar a discussão procurei dois blogs: um que é favorável e outro contra esta prática.
Não quero me pronunciar sobre o assunto agora, mas quando eu souber o resultado da votação, vocês saberão a minha opinião. Porém, uma coisa é certa: a legislação que vigora até hoje sobre o tema (de 1940) está bastante obsoleta (por motivos óbvios, né?) uma vez que definia a prisão por três anos da mulher "desalmada". Está mesmo na hora de se decidir algo útil em meio a tantas MPs que não levam a parte nenhuma.
Sexta-feira, Novembro 25, 2005
politica: Blogsunidos

Me recomendaram um endereço que reúne blogs políticos feitos no país. É possível acessar páginas de jornalistas, de "amadores" engajados e também de alguns políticos.
Têm blogs que incrementam bastante e entre os acessórios é possível encontrar aquele que usa fundo musical ou um estalar de dedos a cada intervalo de tempo.
A indicação foi de Edson Corrêa.
Foto: googleimagens
Quinta-feira, Novembro 24, 2005
Perto de uma urna, longe de um cargo

A representação feminina tem que ser legítima, e não uma extensão do poderio dos caciques
Ezequiel Vieira
Quando foi aprovado o pedido de cassação de 18 deputados, notou-se que nenhuma mulher estava na lista. Esse fato fez com que em certas comunidades do orkut aumentasse a discussão sobre o número da participação feminina na política. Destacou-se que elas poderiam fazer diferença em uma área que neste ano sofreu acentuada queda na credibilidade e que em sua maioria é formada por homens.
A participação das mulheres seria pequena porque boa parte delas viriam de movimentos sociais, sindicais ou religiosos, sem recursos para custear as campanhas e um sobrenome de peso na hora das indicações.
Na comunidade Lugar de mulher é na política! Lea relembra que em 2002, Roseana Sarney foi forte candidata à presidência da república. Tinha recurso e um nome para a campanha. Mas a “orkuteira” deixa claro que a representação feminina tem que ser legítima, e não uma extensão do poderio velhos caciques.
***
ver também
Agência Carta Maior: Igualdade política ainda é desafio para mulheres
Senado: Elas querem ser ouvidas
Falta Consciência...

Episódio do último domingo marca o preconceito com que se trata o negro no Brasil e ignora suas contribuições positivas
Gabriely Sant'Ana
20 de novembro. Foi apenas mais um domingo chato? Pode ser, mas também foi o dia da comemoração da Consciência Negra.Todos os sites de fofocas anunciaram a festa de premiação, feita naquele dia, por uma certa revista aos negros que mais se destacaram no país em diversas áreas.
Mas do que as pessoas mais se lembraram daquele evento? Foi o soco que o apresentador Netinho (um negro) deu no Repórter Vesgo (um branco). Não sei ao certo quem era o algoz e quem era a vítima dessa história, porém a imagem que ficou foi a de um negro violento que bate em ex-mulheres e pessoas com "deficiência visual".
Vários relatórios sobre a situação do negro no Brasil foram divulgados nos últimos 15 dias. São os negros que têm mais chance de serem vítimas de tiroteios com a polícia, que têm o pior IDH, os mais numerosos em população carcerária e/ou miserável, são a minoria em instituições de ensino superior, etc, etc, etc. Tudo que serve para aumentar ainda mais o abismo entre as duas etnias mais numerosas do país e o racismo que o circunda. Segundo o blog Verbo Solto, a polêmica está lançada.
Só resta saber quando será instituído o dia da Consciência Branca sobre o papel do negro na construção cultural e social do País. Porque como diz um comercial "se não fosse o negro, o que seria da Literatura Brasileira (Machado de Assis)?" Este é somente um exemplo.
Para mais informações sobre as políticas para o combate ao racismo e a discriminação, acesse o site da UNESCO.
Será apenas um fantasma?
OK! Tudo bem que não esteja ultimamente ligando muito para este espaço... não é a primeira vez que digo isso, mas é mesmo o meu ilustre colega Ezequiel que salva o blog. Porém, não quer dizer que estou pouco me lixando pra política nacional, pelo contrário, estou aprendendo a gostar desse assunto que eu abominava e descartava em minhas leituras de jornal. É, eu sempre fui leitora de segundo caderno e agora a primeira coisa que vejo é a coluna de política.
Tudo que se fala é bastante recorrente, a falência da Política, aquela dos valores modernos supremos é descaradamente mostrada. Quem, em sã consciência, gostaria de falar coisas podres e corrompidas o tempo todo? Não é melhor ficar no pão e circo? Por isso eu tinha me esquecido de postar algo nesse blog propositalmente. Vagar como uma alma penada, soltando algumas piadinhas cáusticas de vez em quando era tudo o que eu me limitava a fazer.
Aí descobri que havia grandes chances de estar me intoxicando novamente e esquecendo da política... Da mesma forma dos noticiários! A espiral do silêncio estava fazendo efeito.
Será apenas um fantasma do otimismo?
Hoje não quero falar de Lulas, Caranguejos ou outros frutos do mar...
Tudo que se fala é bastante recorrente, a falência da Política, aquela dos valores modernos supremos é descaradamente mostrada. Quem, em sã consciência, gostaria de falar coisas podres e corrompidas o tempo todo? Não é melhor ficar no pão e circo? Por isso eu tinha me esquecido de postar algo nesse blog propositalmente. Vagar como uma alma penada, soltando algumas piadinhas cáusticas de vez em quando era tudo o que eu me limitava a fazer.
Aí descobri que havia grandes chances de estar me intoxicando novamente e esquecendo da política... Da mesma forma dos noticiários! A espiral do silêncio estava fazendo efeito.
Será apenas um fantasma do otimismo?
Hoje não quero falar de Lulas, Caranguejos ou outros frutos do mar...
Quarta-feira, Novembro 23, 2005
charges: voltando aos bons tempos

Quando eu tava na 6ª série eu criei a mania de colecionar charges. Era uma época de eleição (1998) e esse período costuma ser um prato cheio para quem vive de fazer piadas e satirizações. Não me lembro por que, mas acabei jogando tudo fora. O brinquedinho deve ter perdido a graça.
Essa viagem toda é pra dizer que tô lincando um site que reúne charges de alguns jornais do país. Vale a pena acompanhar essa inocente sessão em que muitas vezes a opinião de um jornal está mais evidente do que em seus editoriais.
Bom, até sexta-feira porque agora eu tenho que estudar para a prova de sociologia que a gente tem amanhã. O link para as charges é este.
A charge acima é de ontem à tarde de um tal de Samuca
Segunda-feira, Novembro 21, 2005
rastreando blogs
Sigo com minha saga para lincar alguns blogs jornalísticos de cada Estado. Apesar de preferir abordagens sobre política e mídia, os temas não precisam ser necessariamente esses. O importante é dar visibilidade a realidaes nem sempre percebidas.
Achei um blog de um cara que parece ser um Noblat em Rio Branco. Ele trata de assuntos em geral com ênfase na política e na região da Amazônia. Não consegui ler com mais detalhes o blog do Altino Machado. Mas para quem gosta do Jorge kajuru em breve ele poderá ser assistido no SBT Brasil falando, claro de esportes. Para ver clique aqui.
A Petrobras no jornal A Gazeta

Se o jornal A Gazeta tivesse ombudsman, penso que a matéria mais cotada para discussão seria a que foi manchete na editoria de economia na edição de ontem: O que a Petrobras tem que as outras empresa não têm. Era assim mesmo. Nem mesmo era uma pergunta. Era uma descrição bem romântica da empresa e do sonho que é para os jovens trabalhar lá.
A reportagem trouxe uma pesquisa da FDV sobre o porquê da opção por uma certa empresa para se começar a trabalhar. Acho que o jornal se empolgou (depois eu vi que ele não ficou sozinho nessa, apesar de aqui ter sido mais isento) quando veiculou a tal pesquisa.
Não parecia vir de um jornal "independente". Parece que só fizeram o trabalho de copiar e colar o material que receberam da Petrobras e só lembraram de deletar o logotipo do release que receberam.
***
ver também
Leituras D'A Gazeta: publicidade disfarçada de jornalismo
contato
Domingo, Novembro 20, 2005
Vamos Dominar o Mundo!
Nós, as mulheres, já há muito tempo deixamos o fogão e o tanque para exercermos outras funções que antigamente, mas bem antigamente mesmo, eram delegadas apenas aos homens. Uma dessas atividades é o poder de escolha dos nossos representantes políticos. Em 1934, nós ganhamos esse direito. Quem disse que mulher só tem direito a escolher o que vai ser feito no jantar?
Contudo, somente votar não basta. Isso porque a gente deve agir também, e a política ainda é um lugar onde temos pouco poder de mudança e voz para sermos ouvidas. Somos a maioria da população brasileira e contribuimos muito para a riqueza do país, só que a parcela feminina que está nos congressos, câmaras e senados é ínfima se comparar a deles.
Estou em um momento demasiadamente feminista? Com certeza! Ficar falando sobre política, mas falar só de políticos e não das políticas é algo que me despertou a atenção nesse últimos dias.
Um ponto favorável: o nível de políticas corruptas é quase nulo (eu não esqueci da Roseana) e as participações CPInescas das mulheres são quase indefectíveis. Também pudera, afinal somos as mais responsáveis, habilidosas, inteligentes e fazemos qualquer coisa com a cólica mais absurda, algo que qualquer homem sucumbiria de primeira.
Vou então votar nas próxima elições em uma mulher só porque ela é mulher? Depende da plataforma, porque pô, eu sou consciente!
Contudo, somente votar não basta. Isso porque a gente deve agir também, e a política ainda é um lugar onde temos pouco poder de mudança e voz para sermos ouvidas. Somos a maioria da população brasileira e contribuimos muito para a riqueza do país, só que a parcela feminina que está nos congressos, câmaras e senados é ínfima se comparar a deles.
Estou em um momento demasiadamente feminista? Com certeza! Ficar falando sobre política, mas falar só de políticos e não das políticas é algo que me despertou a atenção nesse últimos dias.
Um ponto favorável: o nível de políticas corruptas é quase nulo (eu não esqueci da Roseana) e as participações CPInescas das mulheres são quase indefectíveis. Também pudera, afinal somos as mais responsáveis, habilidosas, inteligentes e fazemos qualquer coisa com a cólica mais absurda, algo que qualquer homem sucumbiria de primeira.
Vou então votar nas próxima elições em uma mulher só porque ela é mulher? Depende da plataforma, porque pô, eu sou consciente!
Sexta-feira, Novembro 18, 2005
politica e internet: quem tem medo da web?

Sem ter nada pra fazer depois de um montar um programinha de rádio sobre a década de 1950 e com uma aula de filosofia horas mais tarde, resolvi navegar por esse mundo "à parte" que é o orkut. Encontrei uma comunidade chamada Marketing Político que, apesar de não receber postagens há mais de 20 dias, achei bem interessante. Um dos tópicos dessa comunidade traz links para sites que fazem ou ensinam a fazer, claro, o tal do marketing político.
Os sites são muito bons, mas achei o Política para Políticos o mais completo. Vale a pena acessar. E já que estamos na web, há também um link neste mesmo site que trata especificamente de Política e Internet.
É uma pena que um espaço tão poderoso seja pouco explorado por aqueles que fazem política. Ouço muitas pessoas dizendo que os sites pessoais de deputados e senadores, por exemplo, não são atualizados com frequência. Eles existem mais para marcar território na rede.
Bom, isso eu não posso afirmar com absoluta certeza. Fica a promessa de ser um assunto para um próximo post.
navegando na rede: deixe o seu link aqui
Qual o jornal de sua preferência? Você costuma acessar mais de uma fonte de informação por dia? Uma das grandes críticas que é feita ao jornalismo é a questão, nem sempre verdadeira, de ele só noticiar a "periferia" do lugar em que ele está localizado quando acontece alguma desordem social evidente.
São frequentes as matérias do eixo Rio-São Paulo quando se fala em Brasil e aqui no Espírito Santo é difícil a pauta sair da Grande Vitória.
Acontece que a condição de existir não está mais restrita à sorte de ser noticiado por uma Folha ou uma A Gazeta. A internet possibilita que cada realidade coloque na rede o conhecimento de sua realidade - reconheço que o acesso ainda é restrito.
Pensando nesse potencial de visibilidade, resolvi procurar algum site que relacione os jornais que o Brasil tem. Não só dos Estados do sudeste mas também do Acre ou Amapá, por exemplo. Consegui achar um endereço bem completo. O link é este.
A minha intenção também é lincar alguns blogs jornalísticos de cada Estado. É mais ou menos uma cópia do programa Me Leva Brasil que foi exibido pelo Fantástico há algum tempo. Acho que vai ser uma procura um pouco cansativa mas deve valer a pena. Se você quiser contribuir indicando blogs que você tenha gostado, esteja a vontade.
Quinta-feira, Novembro 17, 2005
Poeira em alto mar

Alguém já disse um dia desses que é impossível existir poder sem haver corrupção. Porque obter poder é deixar-se corromper. Foi isso que aconteceu com Lula: ele não podia manter aquela imagem de "sindicalista comedor de criancinhas" (não leve no mal sentido) quando assumisse a presidência, ou até mesmo fazer uma campanha decente. Em outras palavras, não poderia ser uma poeirinha socialista em um mar de capitalistas neoliberais.
Ele cortou o cabelo, mudou o estilo da barba, comprou ternos bem alinhados e agora, se atreveu a até abraçar o coleguinha de cargo executivo, o cowboy texano Mr. Bush!
Mas, se nosso presidente falou que "a cabeça é redonda para que as idéias girem", eu não posso discutir. Depois de uma máxima como essa é melhor me calar.
Ainda não me decidi se votaria no Lula novamente. Pelo menos, porque tudo que digo parece ser contra ele. Pode ser que eu vote sim, e antes ele que o Garotinho... Mas, será que existirá uma solução com a Bomba Atômica? Ih... já falei demais.
Quarta-feira, Novembro 16, 2005
Assim falou Marilena: não houve erro
Essa semana eu comprei a Caros Amigos pela primeira vez. Das outras vezes em que li a revista foi quando "peguei emprestado" no centro acadêmico do curso. E olha que isso já faz tempo. Logo, logo eu devolvo.
Achei que o gasto seria um investimento depois que vi a matéria de capa: uma entrevista com a filósofa Marilena Chauí em que ela diz "A crise é um produto da mídia". Não fiz um trabalho de semiótica que deixei pra fazer na última hora especialmente para ler as sete longas páginas da entrevista.
Realmente, é preciso sutileza filosófica para tecer uma defesa para o PT como Marilena fez como também é necessária uma visão maniqueísta para dizer que crise política não existe. Ela foi inventada pela mídia.
Na visão da professora, não houve corrupção como a que se noticia na imprensa e, portanto, não há como se falar em crise. O que temos aí é "uma invenção midiática, sob a vigência dos partidos de oposição na tentativa de um golpe branco". E tudo isso, em um nível que supera o da famosa manipulação da opinião pública e que parece tirar da ficção a história elaborada pelo livro 1984.
Dormi imaginando de que maneira eu agradeceria à Marilena pelo seu pensamento caso eu pudesse encontrá-la. Depois de ler a entrevista tive a impressão de que recebia um convite para sair da cômoda escuridão da caverna e vislumbrar o mundo real. É uma pena que para estragar a magia do convite, o meu nome não seja Sofia, o dela não seja Alberto e a mídia não seja um onipotente articulador de histórias.
***
A fala de Chauí que compõe o título deste post faz parte da resposta à seguinte pergunta
Mas, se já havia uma concepção de política dominante no PT, deslocada das bases, pra ganhar eleição etc., se pelas regras atuais seria impossível fazer eleição sem caixa dois, então onde se errou?
Mas não errou, é isso que estou dizendo. Não houve erro. É por isso que nenhum deles diz, e nem pode dizer que errou. Porque é uma concepção da ação política.
Terça-feira, Novembro 15, 2005
mudança: eterno coringa?

Outro dia assisti uma entrevista em que se falou que as promessas das próximas eleições serão mais objetivas (pragmáticas) do que movidas por uma missão ética. Os eleitores não estariam mais dispostos a ouvir o recorrente discurso da mudança diante da acentuada queda na credibilidade que os políticos sofreram neste ano. Santo ou pagão, que cada candidato mostre a que veio.
Fiquei esperando uma chance em que eu pudesse verificar a validade dessa teoria. A primeira oportunidade veio na semana passada. O presidente nacional do PMDB, Michel Temer, foi à televisão para dizer que no ano que vem não formará base de apoio para nenhum governo e que lançará candidato próprio (leia-se o destemido Antony Garotinho) e "mudaremos o país".
Ou eu preciso de mais exemplos antes de jogar fora essa teoria ou reivindicar uma tarefa messiânica continua sendo um bom coringa.
***
ver também quem precisa de salvador da pátria? de 30/10
Não estranhe se vez ou outra eu lincar essa postagem. Junto dela há também um comentário que complementa muito bem o que disse lá e aqui.
Foto: google imagens
Domingo, Novembro 13, 2005
As tranças (ops!)... as tramas do careca

E, sequenenciando a trilogia "Qualquer semelhança com a ficção é mera coincidência", temos a figura do 'publicitário' Marcos Valério, que segundo últimas notícias está envolvido até o último fio de cabelo (desculpe) nas tramóias que agora se revelaram também com o BB. Tudo indica que o ex-diretor de Marketing do banco, Henrique Pizzolato, fez pagamentos à agência DNA, que tem como um dos sócios o carequinha nada simpático, cujo valor ultrapassa 73 milhões de reais - uma mixaria, convenhamos - e dessa quantia 10 milhões foram desviados e repassados por Valério ao caixa dois do PT. Tem que diga que é mentira, intriga da oposição, aquela conversinha pra boi dormir.
É nessas horas que eu penso: pobrezinha da sua mulher! A coitada fica cuidando da casa enquanto não faz idéia do que o marido anda aprontando fora dela. E tome chororô.
E tome secretária revelando (ui!) bem mais do que deveria.
Quem será nossa próxima vítima/protagonista? Não perca o terceiro e último (snif) episódio desta saga...
Sábado, Novembro 12, 2005
A volta dos que não foram

De quem será que estou falando? Pode ser que alguém diga que esse assunto é velho, mas e daí? Garanto que o trocadilho com aquelas piadinhas de nomes de filme é novo...
O que importa é que o ex-ministro e ainda (ufa!) deputado José Dirceu fugiu da forca, numa manobra política espetacular, mas sem direito a replay. A safra é mesmo de pizzas, e pra quem ainda não tomou conhecimento - algo difícil com a enxurrada de notinhas do JN - uma CPI foi adiada até... abril de 2006! Pertinho do meu aniversário, que presentão.
Zé Dirceu ainda tem chances de ir para o limbo? Será que ele vai e não volta? Eu quero saber mais do que poderia? SIM! Tomara que esta tenha sido a resposta certeira para todas as questões anteriores.
Sexta-feira, Novembro 11, 2005
O jornalismo no FOCO
Nossa turma de jornalismo online também fez a cobertura do 3º Fórum de Comunicação que tivemos aqui na Ufes. Eu e Gabriely ficamos de fazer o balanço da semana. Depois de ler alguma coisa que rascunhei ontem à noite, percebi que puxei sardinha para o lado do jornalismo. Espero que quando a gente juntar nossas idéias, o nosso balanço oficial fique mais objetivo. Segue o meu rascunho:
Comunicação em processo. Fortalecimento da publicidade e crise na identidade do jornalismo. A idéia de processo nunca fez tanto sentido e teve tanto vigor como agora, época em que as mudanças ocorrem mais rápido do que se pode apreender e também da telerrealidade.
Foto:cobertura oficial do FOCO, Stalimir Vieira, mais do que a técnica, entender o ser humano é fundamental
Nesse cenário de transformações e de aparente aproximação, ou da formação de uma memória coletiva como Perri Lèvy idealizou com certo romantismo, faz todo sentido a fala de Elizabeth Rondelli quando explica que as teorias da comunicação ensinadas na maioria das faculdades se tornaram anacrônicas no atual contexto em que a Internet e o desenvolvimento das telecomunicações “incrementaram a velocidade de conexão entre as pessoas e delas com a informação” fazendo com que as teorias ensinadas fiquem cada vez mais desatualizadas para explicar hoje a complexidade da comunicação.
Houve também o questionamento sobre qual será o futuro do jornalista, uma vez que o acesso à informação está mais descentralizado e um número maior de pessoas se vê em condições de “criar a sua própria mídia e seu próprio discurso” diante das facilidades oferecidas. É nesse contexto que o professor Giuseppe Cocco chega a vislumbrar o fim certas profissões como a do jornalismo.
Houve também o questionamento sobre qual será o futuro do jornalista, uma vez que o acesso à informação está mais descentralizado e um número maior de pessoas se vê em condições de “criar a sua própria mídia e seu próprio discurso” diante das facilidades oferecidas. É nesse contexto que o professor Giuseppe Cocco chega a vislumbrar o fim certas profissões como a do jornalismo.
Essa idéia também esteve presente em um outro dia do Fórum, quando o professor Alexandre Curtiss se posicionou com ceticismo em relação às mudanças que a Internet possa desencadear. Curtiss afirma que é cedo para estabelecer algum estatuto de transformação das formas clássicas de produzir e consumir comunicação.
Até porque, o que se percebe é o fortalecimento de grandes portais e conglomerados de mídia e a maioria das chamadas mídias alternativas (blogs, por exemplo) estão bem localizadas em suas realidades e estão longe de atingir o potencial de globalidade que o meio web oferece. A exceção mais evidente agora pode ser conferida aqui a partir da postagem Blog e o novo maio de 68.
A profissão de jornalista talvez não esteja com seus dias contados, há uma visão de que ela possa se afirmar ainda mais. Isso porque diante de tantas fontes de informação a tendência pode ser que as pessoas procurem fontes de referência mais confiáveis e aí estaria a demanda para quem optar por jornalismo, mas com o difícil papel de reportar e abordar qualquer assunto no momento em que eles acontecem. O cenário que se vislumbra pode ser o do profissional menos generalista e mais especializado.
Até porque, o que se percebe é o fortalecimento de grandes portais e conglomerados de mídia e a maioria das chamadas mídias alternativas (blogs, por exemplo) estão bem localizadas em suas realidades e estão longe de atingir o potencial de globalidade que o meio web oferece. A exceção mais evidente agora pode ser conferida aqui a partir da postagem Blog e o novo maio de 68.
A profissão de jornalista talvez não esteja com seus dias contados, há uma visão de que ela possa se afirmar ainda mais. Isso porque diante de tantas fontes de informação a tendência pode ser que as pessoas procurem fontes de referência mais confiáveis e aí estaria a demanda para quem optar por jornalismo, mas com o difícil papel de reportar e abordar qualquer assunto no momento em que eles acontecem. O cenário que se vislumbra pode ser o do profissional menos generalista e mais especializado.
Quarta-feira, Novembro 09, 2005
parênteses

O ritmo do blog vai diminuir um pouco. Já temos mais da metade do semestre e a época de seminários e provas está chegando. Quarta-feira foi o dia da semana que eu e Gabriely escolhemos para ficar de folga mas acabei viciando "nessa coisa" e resolvi colocar um post hoje também.
Para fim (?) de conversa, achei curiosa a saída pela tangente de Fidel Castro quando perguntado por Maradona qual será o futuro de Cuba depois de sua morte. Fidel teria respondido que confia na resistência da generosidade do povo cubano.
Sim, e daí?
foto: rádio rebelde
Terça-feira, Novembro 08, 2005
e Lula falou..

Tenho que admitir. O presidente estava muito seguro no Roda Viva de ontem. Mas isso não diz muita coisa. Depois de vê o Fantástico de anteontem e passar um semestre vendo assessoria de imprensa, o probleminha de ter segurança não é nada o que um bom media training não resolva.
E isso você pode ter certeza, passar por esse treinamento que está muito longe de ser uma conversa de comadres, pode ser muito mais crucificante do que uma entrevista coletiva de verdade. Ainda mais se existe um longo tempo de preparo. Foram 6 meses de negociações até Lula aceitar ser entrevistado.
foto: site uol
e Lula falou...

Talvez seja por isso que ele não veja necessidade de falar com a imprensa com mais frequência. Coletivas exigem mais do entrevistado do que os 8 pronunciamentos diários que o presidente disse que chega a fazer "e já é o suficiente para que a imprensa saiba o que eu penso". É uma forma de trabalhar que ele não vê necessidade de mudança.
Como se nota, Lula confunde monológos com entrevistas além de trabalhar por escalas: de uma prática sistematicamente constituída da qual o PT não se excluía, o tal do caixa 2 passou da categoria de dinheiro não contabilizado ao de não existência. Foi rebaixado à categoria de folclore.
Para saber mais sobre a entrevista, acesse os links:
Observatório da Imprensa: O melhor e o pior do Roda Viva - 13 perguntas e 15 respostas
Blog do Tas 07/11/05: a lista dos sete erros
Segunda-feira, Novembro 07, 2005
dúvida

Não entendi direito como a informação de que o Banco do Brasil abasteceu parte do valerioduto pode dar novo fôlego à crise política. Pelo que li nos jornais de ontem, além de não entender como pode se dá esse desdobramento, essa notícia me parece ser mais uma daquelas que em princípio causam abalo mas logo voltam para o vale das sombras.
continua...
"novas' caras, velhas práticas
...continuaçãoSe a crise voltar aos "bons tempos" de outrora, bom mesmo será para os políticos calouros e para aqueles que estão dispostos a voltar para a academia política. Uma reportagem de A Tribuna (23/10) mostrou que o momento pode favorecer jovens que exercem alguma militância mas que nunca exerceram mandato eletivo, como também dá uma mãozinha aos políticos veteranos e que estão dispostos a retornar à vida pública.
No caso dos iniciantes, os partidos esão atrás deles para passar a imagem do compromisso com a mudança e de que "não farão velhas práticas políticas ou esquemas para garantir mandatos". O outro grupo também apresentou esse discurso, mas levantou a bandeira da experiência e da moralização que pretendem fazer no cenário político
...... alguma diferença em relação aos destemidos das eleições anteriores?
ver também quem precisa de salvador da pátria?
Sábado, Novembro 05, 2005
Quem já sofreu...

Eu ainda era uma criança pura e inocente (porém muito levada) quando Collor sofreu o Impeachament. Achava tudo o que passava na TV uma festa e no dia da votação até acreditei que era feriado e convenci todos os meus colegas a faltar aula... bem, na verdade eu achava que não tinha aula, mas isso é outra história. O que interessa é que o Impeachment aconteceu e foi um dos acontecimentos políticos mais relevantes da história brasileira. E devido aos lamentáveis acontecimentos envolvendo o nosso atual presidente, Lula (que insiste em dizer que não sabia de nada, que é uma pessoa acima de qualquer suspeita, etc, ahã) grande parte da população quer repetir a dose.
O que respodeu então Collor sobre este assunto? Clique aqui e saberá.
Já é tarde para haver Impeachment. Acho que esta entrevista com o ex-presidente serviu apenas para dizer que ele é uma pessoa que não deseja o que sofreu nem para o seu pior inimigo, eterno arqui-rival dos dos debates presidenciais da Globo. Esses políticos... querendo passar imagem de bom moço às vésperas de campanha eleitoral! Eu também não me lembro, mas se aparecer o Colllor andando de jet-ski na televisão nos próximos meses eu não iria estranhar e claro que eu rolaria no chão de tanto rir.
E vocês, o que pensam desse pronunciamento? Foi teoria da conspiração por minha parte?
Sexta-feira, Novembro 04, 2005
Ao presidente, os jornalistas

ATENÇÃO!
Lula vai falar!
Não sintonize o seu rádio no pragrama café com o presidente.Não vá assistir ao próximo telejornal para ver o corintiano (não me veio outra palavra) discursando em alguma inauguração ou vê-lo falar aos "neoliberais" o seu desejo de que o atual governo seja lembrado pelo bom desempenho econômico (a identidade de antes seria o social). Não espere pelo Fantástico para conferir Lula monologando em mais uma "entrevista" exclusiva. Desta vez o "bate-bola" será na edição número 1000 do Roda Viva da próxima segunda-feira às 22h30. Se o programa seguir a tradição de fazer boas perguntas, o cenário que lembra uma arena romana, será bem adequado diante de jornalistas "ávidos por ver sangue presidencial" (exagerei, eu sei).
Isso seria muito bem-vindo se não fosse algumas questões que considerei importantes:
* a entrevista reunirá menos de 10 jornalistas. Serão poucos os veículos de comunicação que serão representados.
* o horário e o canal do Roda Viva não ajuda muito. Às 22h30 muitos trabalhadores já estarão dormindo e, pelo menos aqui no Estado, a TV Cultura não chega ao interior capixaba e cobre parcialmente a Grande Vitória. O programa poderá ser acompanhado em tempo real na net, mas quantos podem acessar?
* o Roda Viva tem fama de ter um público bem segmentado e como são raras as falas dialogadas de Lula, seria interessante que um público mais diversificado pudesse assistir, público esse que também votou e vota nas eleições.
* o Roda Viva, que quase sempre é ao vivo - para poder receber do telespectador as perguntas que forem surgindo ao longo das entrevistas - desta vez será gravado horas antes de ir ao ar numa sala anexa ao gabinete do presidente, no Palácio do Planalto. Ou seja, Lula finalmente irá falar abertamente com os "jornalistas mal-educados" (quem concordou com a última coletiva que ele deu?) Mas não se ufane tanto. Pensando bem, acho que o discurso dele corre o risco de se limitar a uma sala anexa ao gabinete presidencial.
Quinta-feira, Novembro 03, 2005
O Politicamente Incorreto

O que aconteceu com Zé Dirceu? O que aconteceu com as CPIs? O que aconteceu com o Maluf? O que aconteceu com a memória do brasileiro? Será que vamos nos esquecer disso tudo e continuaremos a votar nestes indivíduos? Será que a calhordagem (eu sempre quis usar essa palavra), a cretinice e a corrupção estão incutidas tão profundamente no Brasil que nem o amado Futebol se salvou (vide as tantas notícias infelizes que recebemos nos últimos meses)?
A era do Politicamente incorreto vigora. Dizem que é tudo culpa do pós-moderno, cujo paradigma prevê a perda de valores e um egoísmo supremo que pode (ou até deve) destruir o bem coletivo. Pluralidade de opiniões? Soa melhor como autorização de um turbilhão de informações que nos fazem perder como cegos num... tiroteio! Isto remete ao referendo, que época infeliz!
O que escrevo parece podre e niilista? Pois é, então escrevi do jeitinho que o nosso país está.
retratação
Faz muito tempo que eu não escrevo alguma coisa decente neste espaço,o Ezequiel é que estava salvando o blog, que tem como principal objetivo oferecer posicionamentos diferentes sobre os assuntos que a mídia traz pra gente, de uma maneira mais analítica (oh, não estou me achando não)e sem rabo preso. Parece que eu tinha me esquecido disso, e fazer jornalismo não é ficar brincando o tempo todo... é, virou desabafo. A próxima postagem será séria, no meu estilo, porém séria.
Quarta-feira, Novembro 02, 2005
Veja: "laboratório de invenções da elite"
Considero como senso comum que não existe objetividade/imparcialidade no jornalismo. Penso que dizer que um autor não está presente em seu texto ou é ingenuidade ou é falar que alguma obra pode se constituir por si mesma, vinda do nada (uma outra hipótese é bem-vinda).
É um absurdo um veículo de comunicação se apropriar desse mito do jornalismo e tentar vender suas idéias panfletárias como sendo uma verdade indiscutível, como se a sua abordagem do real fosse, se não a única, a melhor possível.
A revista Veja tenta reivindicar esse "caráter civilizatório" e acaba se tornando não um espaço de debates, como seria uma possível identidade do jornalismo, mas se torna um "laboratório de invenções da elite".
Aproveitando o gancho da matéria que ela veiculou essa semana de que a campanha de Lula teria recebido dinheiro vindo de Cuba, resovi colocar aqui o link de um artigo em que se faz um panorama sobre como são feitas as matérias na revista.
Para ler o artigo clique aqui.
Terça-feira, Novembro 01, 2005
Veja e o dinheiro de Cuba. XEQUE-MATE?

Bom pessoal, feriado tá aí e devido à prova de antropologia que temos depois de amanhã não deu tempo pra elaborar alguma coisa para hoje. Acho que o fato mais importante da semana é a denúncia que a revista Veja veiculou (clique aqui para ler a matéria) de que a campanha presidencial de Lula teria recebido dinheiro vindo de Cuba. É claro que é necessário investigar, mas se for verdade isso pode ser o xeque-mate para o PT depois de uma série de denúncias que a revista vem se encarregando de estampar em suas capas.
A denúncia é muito grave, se for confirmada, o registro do PT pode ser cassado e os políticos a ele filiado não poderão se candidatar nas eleições do ano que vem, porém, como aprendiz de cético, por enquanto sou da mesma opinião que o blog Em Cima da Mídia tem a respeito do caso (ver Credibilidades Abaladas de 01/11).
Seguem algumas opiniões e artigos sobre a reportagem e, caso você queira contribuir de alguma maneira, esteja a vontade.
Revista Fórum: Quem diria, Fidel vira pára-raios de ACM
Oficina de Informações: A denúncia de VEJA sobre dólares de Cuba na campanha do presidente Lula
Ricardo Berzoini, presidente do PT: "Revista Veja tornou-se um panfleto do PSDB e do PFL"
Nota oficial divulgada pela embaixada de Cuba no Brasil: Veja faz propaganda para Bush
Observatório da Imprensa: Veja decidiu apostar no desatino
Segunda-feira, Outubro 31, 2005
quem precisa de salvador da pátria?

Lembro que nas eleições presidenciais de 2002 havia um discurso quase generalizado de que se Lula "não der um jeito no país, não há mais ninguém que possa fazer isso". É com certa tristeza que relembro essa fala e ouço que agora caixa 2 virou dinheiro não contabilizado e que se esse "caixa" existe, isso não é exclusividade do PT, antes um oásis da boa moral política.
É com certa descrença nas coisas que vejo que os partidos agora precisam assinar documentos que assegurem que eles agirão com ética, como se o simples fato de se exercer um cargo de representação pública por si mesmo já não exigisse compromisso e responsabilidade ética. É com pesar que lembro que Bush pode ser o que for, mas não foge da imprensa e não se esquiva de responder às perguntas mais incômodas. As entrevistas coletivas são entrevistas de verdade e têm uma periodicidade mais frequente do que 2 anos e meio.
Sei que a imprensa não é inocente, mas penso que é melhor "abastecê-la" com um discurso próprio do que dá margem para que ela busque respostas por si mesma.
Agora eu leio no blog do Tas - ver a morte e a morte de Celso Daniel de 26/10 - de que a esperança dele é o Eduardo Suplicy (PT) e que espera que ele não o decepcione, êta mania brasileira de tentar eleger salvadores da pátria...
Já vou logo avisando que não tenho nada contra o Suplicy, só não quero ter a ilusão de que alguém foi eleito pra levar a gente para uma terra que mana leite e mel.
Domingo, Outubro 30, 2005
Dia do ócio

Estou postando só para constar que o blog é diário... esse dia está chato, chuvoso, meu primo chato e meu irmão pentelho estão aqui; então prefiro ficar procurando outras coisas na Internet.
Quero me livrar dessa preguiça, dessa monotonia e desse limbo! Sim eu tenho coragem de postar isso...
Esta semana juro que escrevo uma coisa decente e edificante, mas tô sem assunto.
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