Terça-feira, Julho 25, 2006

entrevista com o representante brasileiro do Creative Commons

Para quem estiver interessado em saber o que significa o selo Creative Commons no rodapé do blog segue trechos da entrevista que a Caros Amigos fez com Ronaldo Lemos, representante brasileiro dessa nova licença para direitos autorais

E quanto aos crimes da internet, como pedofilia, por exemplo, você também pensa nessa área?
Sim, mas tenho me dedicado mais ao problema do acesso à informação. Porque essa parte de crime, de pedofilia, já é todo um universo à parte. Isso já envolve a questão da privacidade, direito penal, e não dá para abranger tudo, me mantenho informado, mas não tenho condições de ter uma atuação expressiva nessa área.

E as reações contrárias das quais você falou, você acha que elas vieram pela própria quebra de tabu que vem com a questão dos direitos autorais livres?
Nesse caso, a pessoa que se inscrevia num curso de direito da Internet em 1999 não estava interessada em saber se os outros estavam tendo os meios certos ou errados de acesso à internet, estava interessada em resolver problemas jurídicos e, muitas vezes, problemas de ordem privada, está interessada em saber se a marca do fulano não foi violada ou se o conteúdo foi utilizado erroneamente. A minha proposta era diferente, queria fazer um negócio que olhasse esses problemas como um fator importante, mas que pudesse pensar em uma outra coisa, na transformação da infra-estrutura e da capacidade que as pessoas estão tendo, cada vez mais, de não só receber o conteúdo, mas também gerar conteúdo próprio. Então, algumas das pessoas que estavam lá se sentiam frustradas, porque queriam resolver problemas privados e propus que pensássemos também a partir de uma perspectiva pública.

Mas quando a gente pensa em mundo digital a gente não pensa num público muito restrito que acessa?
Concordo com você. Isso é um problema para a gente que é de país pobre e, quando falamos em internet, ainda temos na cabeça que é um computador ligado na internet. O digital vai chegar para as pessoas mais cedo ou mais tarde. O celular já é um meio de você ter o digital, a TV digital no Brasil já um meio de você ter acesso ao mundo digital. Quando pensamos em Internet, temos de pensar num conceito muito maior e mais amplo, que vai abranger telefone celular, TV digital, sem falar em projetos como “Um computador por criança” – one laptop per child – que o MIT está desenvolvendo e que distribuirá 10 milhões, 15 milhões de computadores para quem precisa deles. Mais cedo ou mais tarde isso vai acontecer. O que sou contra é o pensamento “etapista”: Precisamos primeiro dar computadores para as pessoas para depois pensar na democratização do conteúdo. Este é o pensamento mais danoso que a gente pode ter. Porque quando a gente chegar com os computadores, o conteúdo já estará totalmente controlado, totalmente formatado para atender interesses que não são os da sociedade, e teremos problemas. Continua

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