Sexta-feira, Agosto 25, 2006

interrompemos a programação normal (rs), um pouco de Goethe

Encontrei uma longa entrevista com Caio Túlio Costa feita pela Revista de Comunicação em 1997. Caio exerceu a função de consultor do portal Uol - espaço que ajudou a fundar e onde trabalhou de 1996 a 2002.

Na ocasião ele comentou que a interatividade iria exigir mais criatividade e novos profissionais para a internet - mas que a essência do jornalismo permaneceria a mesma. Tanto que ele indicou alguns livros que considera indispensáveis para a formação de quem pretende ser jornalista - e isso, em qualquer época. Fui atrás de uma dessas indicações, Werther (Goethe), apontado como "importantíssimo, porque toca muito no mal, no suicídio, que é uma reflexão que o jornalista precisa fazer".

"Desta vez, sem contradição possível, você enganou-se, pelo menos em comparar o suicídio, que é o assunto em foco, com as grandes ações, quando não se pode considerá-lo senão como uma fraqueza. Decerto é mais morrer do que suportar com constância uma vida de tormentos (...).

- Você chama a isso de fraqueza? Peço-lhe, não se deixe levar pelas aparências. (...) A natureza humana - prossegui - é limitada: ela suporta a alegria, a tristeza , a dor, até certo ponto; se o ultrapassar, sucumbirá. A questão não é saber, pois, se um homem é forte ou fraco, mas se pode aturar a medida de sofrimento, moral ou físico, não importa, que lhe é imposta. Neste caso, acho tão absurdo dizer que um homem é covarde ao dar cabo da própria vida, como seria absurdo chamar de covarde o que corre de uma febre maligna."

2 comentários:

Ezequiel Vieira disse...

Continuando com a sequência:

"-Isso é um paradoxo, um verdadeiro paradoxo - exclamou Aleberto.

Repliquei-lhe:

- Não é tanto como você supôe. Você há de convir que nós chamamos de doença mortal a que esgosta o organismo de tal modo, que as forças ficam em parte consumidas e em parte incapazes de agir; assim, o organismo não poderá mais reerguer-se, e por uma reação favorável, reestalecer o curso ordinário da vida... Pois bem , meu amigo, apliquemos essa verificação ao espírito. Considere quanto o espírito do homem é limitado e como as idéias nele se fixam até que, atingindo o alto grau de paixão, lhe retiram completamente a calma, a faculdade de refletir, e o levam a perdição total. Não adianta que o homem razoável e de sangue frio se compenetre da situação do desgraçado e o exorte; seria o mesmo que o homem robusto, junto do leito de um enfermo, tentar transmitir-lhe uma parcela, mínimo que seja, do seu vigor"

baratas disse...

Blog legal, parabéns! A política, se me atrai por sua importância para a vida social, também me cativa pela inesgotável mineração que nela se faz de excelentes motivos para o riso e a ironia. Há muito de exemplar nela! Saúde e paz! www.baratas2006.blogspot.com