Nunca gostei da propaganda do TSE. "O Brasil está nas suas mãos. O Brasil é tão bom quanto seu voto. No dia 1o de outubro somos mais de 125 milhões de patrões". Tive ainda mais razões pra detestar quando folheei de novo o livro Transformações da política na era da comunicação de massa (Wilson Gomes) e encontrei o seguinte trecho:
"Com a especilização de funções e poderes em duas esferas distintas, a democracia sempre se viu nas malhas da controvérsia sobre a efetividade do poder da esfera civil. No interior dos discursos de autolegitimação de que é pródiga, a democracia tem um dos centro dogmáticos na idéia de soberania popular, a idéia segundo a qual o conjunto de cidadãos se autodetermina politicamente e o povo está no comando do Estado. Nessa perspectiva, a esfera civil é constituída pelos mandantes e a esfera política, pelos mandatários. Historicamente, entretanto, o centro de poder do Estado parece ser ocupado pela esfera política, cujo núcleo está no governo, restando à esfera civil apenas intervenções episódicas em eleições para escolher, em função do cliente, uma dentre várias opções de configuração do Estado produzidas pela esfera política e oferecidas no balcão eleitoral.
Em outras palavras, na divisão social do trabalho político, para usar a expressão de Bourdieu, a esfera dos mandantes, mais nobre em termos ideológicos, tornou-se historicamente mais passiva, enquanto a esfera dos mandatários, que do ponto de vista da ideologia democrática é secundária, tornou-se mais ativa e efetiva".
Quarta-feira, Setembro 20, 2006
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1 comentários:
Legal você falar sobre essa propaganda do TSE. Toda vez que eu a assisto eu fico triste. É absurda a falsidade de ideologias que existe nessa época de eleições. Ah, sim, somos tão importantes nessa época de eleição. Os políticos saem de suas tocas para nos cumprimentar e falar o quanto o nosso voto é importante para eles. Que Brasil é tão importante quanto o meu voto? Porque para mim essa propaganda significa dizer: "Sim, orgulhe-se, pois mesmo se você for semi-analfabeto durante um mês de sua vida, de dois em dois anos, você vai ser gente!" Tá, mas e depois? Porque eu nunca fui convidada para nenhuma festa de político após as eleições e, muito menos, fui cumprimentada ou vi algum deles fora do período eleitoral.
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