atualizado em 19/09/06O momento era para discutir as relações entre mídia e o sistema prisional no ES, mas o que foi apresentado pode ser ampliado para além da realidade capixaba. Destaco a fala de Júlio Pompeu quando comentou que a prisão só tem importância porque alimenta uma sociedade de exclusão. "É um problema social. Mas a nossa sociedade não é de inclusão. É de exclusão sistemática".
Claro que Pompeu não obteve unanimidade. Pude perceber isso pelo burburinho das pessoas na saída da palestra. "Ele exagerou. Não é bem assim não" etc etc - ainda incomodava a fala de que o prisídio nada mais é do que a lata de lixo da sociedade. "De uma forma geral, o que se espera é que as pessoas não saiam de lá nunca mais. Se morrer, ótimo!"
"O sistema prisional não é um fracasso, é um sucesso. Você é quem foi enganado quanto ao projeto e ao objetivo dele."
Pompeu explica que a hipótese de Foucault (foto) - autor presente em seu TCC, mestrado e doutorado - é a de que as macroinstâncias da sociedade são compreendidas por meio de suas microinstâncias. "Quando a massa se tornou importante industrialmente foi que ela se tornou objeto de políticas públicas. A prisão era uma casa de disciplina porque a sociedade era disciplinar. Intensificada a disciplina, o indivíduo está plenamente displinado e adequado à sociedade". Acontece que não há mais necesssidade de pessoas para produzirem. Há excesso. "Não somos uma sociedade disciplinar porque a massa deixou de gerar intesse". continuação deste post
Ps. 1: um relato mais completo da palestra pode ser lido no Grito Sufocado
Ps. 2: para quem quiser saber mais do pensamento de Foucault a UnB criou o Espaço Michel Foucault onde se pode encontrar biografia, links, textos em português e artigos do autor. O orkut também tem quase 1000 comunidades relacionadas a ele. A que tem mais cara de conteúdo encabeça a lista e conta com 13885 membros. O link é este.
Ezequiel Vieira
3 comentários:
gotei muito desse debate
tambem fiz um texto pro meu blog
destaquei a mesma frase que voce:
"o presidio é a lata de lixo social"
ehehhehe
esses jornalistas...
é... acabei de ler, sinal de q entendemos a mesma coisa. Só tem o detalhe q vc desdobrou muito mais coisa do q eu.
Qdo eu atualizar o blog mais tarde faço um link pro seu texto
:)
continuando
o displinado moderno não é mais aquele cujo tempo e espaço é objeto de interesse. O objeto agora, "a grande luta política, é a disputa pela atribuiçào de valor e sentido às coisas do mundo, o resto é superfície", conclui Pompeu.
Um dos papéis da imprensa seria a de mostrar essas contradições e evidenciar que o sistema penitenciário nunca foi, no Brasil, um local onde as pessoas sejam recuperdas. Pompeu enxerga a mídia como o meio onde a pauta de discussão pública é proposta e essa seria uma fundamental alternativa de mudança. Pois, "se as contradições não são mostradas, fica difícil que elas se tornem um problema comum e sejam resolvidas socialmente"
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