Sexta-feira, Setembro 15, 2006

Partido puro debate, mas não ganha eleição, conclui cientista político

Essa era a única conclusão possível depois de tudo o que foi apresentado na postagem de quarta-feira - o que também ajuda a entender o porquê da candidatura de Heloísa Helena não ser viável desde o começo. Outras hipóteses, vindas diretamente da minha aula de Representação e comportamento político de ontem à noite, é que: o Psol é um partido novo e que não tem organizações fortes o suficiente para mobilizar a candidatura presidencial pelos estados; as pessoas entendem que o figurino básico de blusinha branca e calça jeans é muito bom pra se combater à corrupção, mas não é o bastante pra ser presidente - o eleitor desejaria uma imagem de comando, de uma executiva que saiba fazer outra coisa além de esbravejar.

Mas enfim, é melhor ir direto às contra-argumentações feitas no debate:

2. A viabilidade de uma 3ª via no processo eleitoral
Um partido que seja só de centro também não ganha eleição e é exatamente essa a característica do único partido forte que teria condições de fazer a tal da alterrnativa ao PSDB e ao PT. A organização partidária brasileira, pela explicação de Fabiano, ajuda a entender o motivo de o PMDB há três eleições não lançar candidato próprio à presidência.

O cenário político brasileiro seria caracterizado por uma tendência centrípeta - os partidos saírem das extremidades e caminharem para o centro. Nome o PMDB até tem, mas não é só ser centrista que garante vitória. E é exatamente onde aí que residiria o problema. Se o candidato peemedebista caminhar para esquerda, já encontra o lugar ocupado pelo PT, se caminhar para a direita, vê que o PSDB chegou primeiro - "as rotas para agregar algum capital eleitoral já estão devidamente ocupadas".

"A única saída pro PMDB - como já foi mencionado por aqui no post E as propostas do PMDB, hein? - seria sobreviver no legislativo e nos estados. Ele não tem condições de competitividade se não definir a qual tendência pertence, pois só ganha eleição quem modera o discurso e vira centro-esquerda ou centro-direita. Não há espaço para meio-termo, extremados ou indecisão".

Por esse raciocínio não há, em condições normais, espaço para candidaturas imaculadas terem sucesso em nosso querido país. Se o partido mantiver o estado puro, ele não amplia o patrimônio de votos, se ficar moderado, vai perder o apoio inicial dos radicais.

Ps 1: a terceira contra-argumentação vai ficar postada no comentário.
Ps 2: segue uma seção especial da Folha de S. Paulo sobre as Eleições 2006

Ezequiel Vieira

5 comentários:

ezequiel vieira disse...

3- A aposta feita pelo cientista político em fevereiro era que a definição da eleição não seria feita pela critério da corrupção e sim pela economia e pelo social

o eleitor vota em um complexo de questões e não num único tema. O problema da corrupção é estrutural e só pode ser resolvido a longo prazo através da ativação e fortalecimento das instituições de controle, lembra Fabiano.

"Não é partidarizando que essa questão é resolvida. É melhor maneira de não resolver, é prometer que a simples alternância no poder possa servir de alguma coisa", conclui

ps.: esse debate foi a melhor coisa que q encontrei nesse período eleitoral. Muita coisa foi vomitada - acho que a palavra certa a ser usada é que eu "sofri" uma catarse

fabricio lima disse...

lancei a ideia de criarmos uma associação de blogueiros amapenses. o que vc acha dessa ideia.
http://jeitotucuju.zip.net

danielffb disse...

PARAÉNS PELO BLOG; ELE JÁ FARÁ PARTE DE MINHAS LEITURAS DIÁRIAS

Vitor Taveira disse...

excelente!

Anônimo disse...

Recebi o seguinte e-mail;

"O Lula vai fechar o INSS porque é o único orgão que ele não esta conseguindo assaltar com a sua quadrilha petista e acha melhor fechar o orgão"

* Fiquei preocupado e quero se possível saber;
1) Como vai ficar a vida dos funcionários? - Serão transferidos para outros orgãos?
2) Como vai ficar a vida dos aposentados e pensionistas? Quem vai pagar o salário dessa gente?

Carlos Pinheiro