Terça-feira, Junho 20, 2006

pausa

Então. O período tá acabando e os trabalhos de costume começaram a se acumular. Além disso tenho a redação do relatório final de meu projeto de pesquisa para concluir: a imagem de Lula e seu governo pelos jornais capixabas durante o primeiro mês de crise política.

Essa choradeira toda é pra dizer que só volto a atualizar o blog no próximo dia 20, eventuais postagens ficam por conta dos colaboradores.

Enquanto isso, deixo um trecho de um artigo publicado neste mês no site Sin Dominio:

Racismo o revuelta. Seis historias sobre el vínculo social contemporáneo

George Orwell decía que “sólo se puede confiar en una autobiografía cuando revela algo vergonzoso. Un hombre que rinde buenas cuentas de sí mismo probablemente miente, ya que cualquier vida que se vea desde dentro es simplemente una serie de derrotas”. Algo similar podríamos decir sobre la realidad contemporánea: sólo podemos fiarnos de las narraciones que dan cuenta de su ambivalencia, de su opacidad, de su precariedad y fragilidad. Las historias sobre sujetos imbatibles que progresan imperturbables hacia la victoria final no son de nuestro mundo. No restituyen la tragedia, la prueba, la adversidad, que por lo demás son los ingredientes imprecindibles de toda buena historia. No dibujan un retrato ni siquiera aproximado de nuestro enemigo, que no es la imposición alienante de sentido, sino la dispersión absoluta de –las condiciones de– sentido.

Las nuestras son todas historias de perdedores. No necesariamente de gente que pierde, sino de gente que ha perdido. Que habita en la desarticulación de las ilusiones revolucionarias de los dos últimos siglos, en la destitución radical de los modos de organización y conflicto tradicionales. A partir de ahí, la nostalgia, el resentimiento, la estetización de la derrota, la resignación o el suicidio son opciones. Pero también miente quien las presente como opciones exclusivas, ya que cualquier vida que se vea desde dentro es más que una serie de derrotas. Sobre todo si consideramos que las derrotas son irreversibles (contra toda teología), pero también dejan huellas de la lucha, marcas de lo común, rastros de carmín. Semillas que el presente –y sólo el presente– puede fecundar de manera imprevista. En realidad, las decepciones sólo pueden erosionar una creencia en la vida muy infantilizada. Por el contrario, como cantaba Wordsworth, pensando en su niñez: '¿Dónde se ha ido ese rayo visionario?/¿Dónde están hoy esa gloria y ese sueño?/No nos aflijamos, busquemos más bien la fuerza en lo que permanece'".

Quarta-feira, Junho 14, 2006

PFL se aproveita da fragilidade do TSE

Em março foi o STJ quem num mesmo dia aprovou e vetou a convenção partidária do PMDB que colocaria Garotinho, até o momento de asas cortadas, como o pré-candidato peemedebista à presidência. O TSE também quis mostrar como as instituições políticas no país andam muito bem das pernas e dia desses teve que recuar em sua tardia interpretação de radicalizar as regras de funcionamento da vertizalização partidária.

Talvez isso ajude a entender a seguinte situação: ontem à noite o Tribunal Superior Eleitoral determinou a retirada de uma propaganda contra o PT no site oficial do PFL. Por lá a gente encontrava a seguinte frase 'Chega de corrupção! Em 2006, Lula não!'. Visitei o site e esse slogan já tinha sido retirado, mas continuava uma lista "dos 100 maiores escândalos do governo Lula", 'novas' frases (Governo Lula: ninguém merece; Governo Lula: corrupção e incompetência) além de uma enquete do mais baixo nível político:

Lula perguntou se Ronaldo estava gordo. O craque lembrou que o povo fala que Lula bebe. E disse ter perguntas a fazer. O que ele poderia perguntar a Lula?
1. seu número de sorte é 51?

2.quantas garrafas de cana cabem na sua cueca?
3. sua mulher torce para o Brasil ou para a Itália?

Isso também não tinha que ser retirado? Ou um simples rearranjo de palavras já é o bastante para o TSE?

Segunda-feira, Junho 12, 2006

Aracruz e o bonito papel no mundo inteiro, os índios concordam?

Qual é a imagem que você tem de Bernardinho, Daiane dos Santos, Popó, Robert Scheidt, Marcos Pontes e Pelé? Em um primeiro momento, com exceção de Marcos Pontes, todos eles são brasileiros que se destacam dentro e fora do país nas atividades esportivas que desempenham. De olho nessa boa imagem e em ritmo de copa do mundo a Aracruz Celulose veicula uma campanha em horário nobre com esses ilustres personagens com o selo da empresa no peito e traz no final da vinheta O Brasil fazendo um bonito papel no mundo inteiro.

Pena que tem o detalhe que esse bonito papel só seja produzido com o custo da devastação do meio ambiente (deserto verde) e dos povos indígenas que originalmente ocupavam a área em que hoje a Aracruz usa para plantar eucalipto. O Século Diário traz a informação de que os representantes indígenas e dos produtores rurais já pensam em fazer um texto para mostrar aos personagens usados para compor a fábula qual é a realidade que eles estão ajudando a mascarar. Quanto é?

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Especial Deserto Verde

Sexta-feira, Junho 09, 2006

de volta ao Chile... comissão de reforma na educação é formada

Os estudantes do Chile se mobilizaram e a foto do post anterior talvez é a que melhor sinteze o avanço obtido até agora. O então ministro da educação foi afastado e uma comissão especial também integrada por representantes sociais e do movimento estudantil foi montada para estudar a reforma a ser feita na educação.

O assunto é complexo e não minha intenção reduzir em apenas um aspecto, mas uma das grandes causas que motivaram os protestos é a reivindicação de que a responsabilidade pela educação volte a ser do governo nacional e não mais dos municípios. Com o procedimento que acontece agora cada prefeitura é interamente responsável pela qualidade de ensino, independente da arrecadação que tenha diponível. A matéria do Brasil de Fato cita o exemplo de que "o gasto mensal por uma mesma vaga de aluno numa escola pública pode variar de R$ 140 a R$ 800".

Numa postagem do blog Atina Chile há um comentário, um tanto clássico nesse momento, de que o país não pode perder a oportunidade de reestruturar o atual sistema de ensino. Uma vez que o sucesso individual de grandes empresários teria criado a idéia, hipócrita, de que tudo estava bem e que de bastaria o esforço pessoal para sair da situaçào de pobreza. O mérito dos estudantes - além de terem conseguido mobilizar o país inteiro por vários dias e forçar o governo a formar uma comissão da reforma - é também o de mostrado ao Chile "
los problemas reales y de fondo que tienen una gran parte de la población".

Quinta-feira, Junho 08, 2006

debate na Ufes: "A propósito dos motins nos subúrbios franceses"

Num momento em que os estudantes chilenos organizam protestos pelo país, ontem encontrei um cartaz sobre um debate que vai acontecer na Ufes a respeito do Movimento Estudantil na França - para saber mais a respeito indico a leitura da tag Motim Francês no Blog do Malini.

O debate será na sala do seminário VI (CCJE) na próxima quinta-feira às 17h30. O palestrante convidado é o professor da Universidade Paris 1 de Sorbonne, Rémy Herrera. O texto de apoio é "Os três tempos de uma revolta francesa" publicado no site Resistir.

Bem, como os posts sobre o Chile me fez interessar pelos movimentos estudantis lá de fora, para quem não puder ir, na próxima sexta-feira vou tentar postar alguma coisa.

A primeira foto é da manisfestação no Chile e foi copiada deste site. A segunda faz parte do artigo mencionado.

Terça-feira, Junho 06, 2006

o protesto dos estudantes chilenos e a necessidade de uma imprensa independente


Enquanto o Brasil de Fato destaca que os estudantes chilenos estão em pé de guerra e a última atualização do site Jornalismo nas Américas mostra que um dos nossos foi "ferido e outro assaltado em cobertura de manifestações estudantis", o blog Atina Chile traz uma ampla discussão sobre a necessária reforma no sistema de educação de lá que a mobilização organizada por estudantes que não passam de 17 anos conseguiu colocar em pauta.

As manifestações começaram a ganhar força pelo final de abril e agora que tomaram conta do país, também levaram a presidente Michele Bachelet a ir em cadeia de rádio e televisão (ver o vídeo aqui) apresentar uma contraposta aos estudantes e, claro, propor uma trégua.

Durante a sua campanha à presidência Bachelet prometeu que faria uma ampla reforma no sistema de educação e agora ela é cobrada por dar respostas pouco satisfatórias aos estudantes. Em alguns blogs eles afirmam que o Governo e a imprensa do país querem reduzir o movimento a uma simples reivindicação pelo passe livre e no blog Centros Chilenos apontam as "3 MENTIRAS MANIPULADAS POR LA PRENSA PARA QUEBRAR MOVIMIENTO":

Os estudantes, a desordem e violência: a mobilização tem por objetivo que o ensino seja reformulado, em qualquer situação em que haja uma manifestação de grandes proporções, é impossível não haver "encapuchados y violencia".

O movimento perde força: para mostrar que isso é mentira ontem à noite foi começada uma uma paralização geral dos estudantes planejada para durar 24 horas.

Falta do que fazer: olhando diversas postagens de blogs chilenos o que mais me surpreendeu foi o alto grau de organização e politização dos estudantes secundaristas. Mas a imagem que parece está sendo construída por lá é que o movimento seria formado por pessoas que encontraram algo interessante pra fazer em meio ao tédio da metade do semestre.

A postagem do blog Centros Chilenos termina com uma lição cuja necessidade parece se evidenciar principalmente em momentos como esse: La lección es simple pero para nada fácil - necesidad de contar con medios independientes y participativos de la ciudadanía es urgente.

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Texto publicado no Observatório da Imprensa 07/06: Estudantes chacoalham a concertación chilena

Segunda-feira, Junho 05, 2006

FNDC faz manifesto em frente ao Congresso por uma TV digital de interesse público

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) promove nesta quarta-feira, em frente ao Congresso, um ato público para reivindicar do Governo "um sistema de rádio e TV digital democrático e brasileiro". Os organizadores do ato destacam a ausência de um debate público com a sociedade antes de decidir o padrão de TV digital que será adotado no País e defendem que, pelo menos, o assunto passe por uma discussão pública no Congresso.

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O Intervozes criou uma página exclusivamente dedicada a essa discussão e também traz um amplo material de legislação, análises, documentos e notícias em que se deixa claro que é tecnicamente viável que o Brasil tenha uma TV digital com tecnologia própria.