Quinta-feira, Agosto 31, 2006

Se ainda não leu, vale a pena ler...

Penso que fazer uma paráfrase deste texto não seria de bom tom. Então me contento em apenas deixar o link desse artigo que sim, eu invejo não tê-lo escrito. Não é preguiça: é humildade.

A maioria, enfim, se liberta da ideologia das elites. Bem não era assim que eu esperava, mas... É Lula de novo com a força do povo?!

E a campanha Xô Sarney repercute

1. Lá vai mais um site pra quem quiser ter mais informações sobre os candidatos nessa eleição - 20134. Além do link do TSE, há uma semana foi lançado o site Políticos do Brasil. A diferença é que agora também é acrescentado os dados dos vencedores e parte dos perdedores daqueles que disputaram as eleições de 1998 e 2002.

2. E o coral Xô Sarney! repercute: a charge que foi alvo de censura virou matéria de capa do exemplar de hoje do Jornal Pequeno. Já são mais de 120 blogueiros que aderiram à campanha e a notícia também transpôs os noticiários tupiniquis. No blog da Alcinéa também leio que
o TRE do Amapá retirou do ar o programa eleitoral de TV do candidato à reeleição senador José Sarney. Nunca no Amapá se imaginou que a corte do TRE/AP retirasse do ar um programa eleitoral de Sarney. Pois tirou, em uma prova que os ventos começam a mudar de direção.
Estudantes comemoraram o feito as margens do Rio Amazonas, que banha a capital Macapá, entoando uma canção cujos versos diziam: "O Amapá vai dar um presente ao Brasil, vai mandar o Sarney para o Maranhão que o pariu.”

3. No dia 13/09 acontece na Ufes -
auditório do IC IV - um debate sobre A democracia brasileira e o processo eleitoral. É esperada a participação do prof. Fabiano Santos - doutor em ciência política/Iuperj - e de André Pereira, também doutor em ciência política e professor aqui na universidade. Para o dia 14/09 - Teatro Universitário - também está programado um debate entre os candidatos do ES ao senado. Os dois debates começam às 09h.

Quarta-feira, Agosto 30, 2006

O eleitor: essa icógnita

As Eleições 2006 comprovam: está se perdendo a vontade de se pensar e debater política, tanto por parte de eleitores como pelos candidatos. Paradoxalmente, depois de tantos escândalos que levaram a população a pensar e exigir mais dos seus representantes, chegando, mese atrás, ao "cúmulo" de até assistir a TV Senado, tudo indica que agora o interesse esfriou.

Parece mesmo que o PT iniciou um processo de despolitização das massas. OK, esse processo já existia antes, afinal esse é o plano perfeito das elites para a manutenção do seu poder. Mas o que estou querendo dizer é que toda a esperança depositada na eleição de 2002, aquele desejo de mudança, de reestruturação da realidade brasileira no fim (?) se transformou apenas em ilusão, em engano e má-fé.

Ao afirmar que não devemos nos preocupar com a ética, que política é tudo igual e que todos utilizam os serviços do caixa dois ou simplesmente botam a mão na merda, faz com que o eleitor não se comprometa mais a pensar no assunto. "Se todos fazem igual, pra quê eu vou me preocupar em escolher melhor, em votar consciente?" deve ser o pensamento do eleitor brasileiro hoje.

Por isso haverá a reeleição. Pois Lula pelo menos tem carisma e implantou o Bolsa-família, que aumentou a renda da população pobre. Do mesmo jeito que foi o real quem elegeu FHC. Por isso também que não há um interesse geral em se assistir o horário eleitoral gratuito. Segundo dados do Datafolha, 55% dos eleitores sequer assistiu a um trecho do horário eleitoral e a maioria que o faz são pessoas das classes mais altas e com maior escolaridade.

Para falar a verdade, não está se perdendo nada ao deixar de ver nossos candidatos por 50 longos minutos na telinha... Mas esse é um assunto para outro post.

E que o Ezequiel não me fure.

Uma eleição sem partidos

De Olho no Voto: programa de meia hora apresentado na TV Cultura por Herodóto Barbeiro de segunda a sexta a partir das 19h50. O debate de ontem foi sobre o sumiço das legendas partidárias do horário eleitoral. Uma das distorções do sistema político brasileiro seria a superpersonalização dos candidatos em detrimento dos partidos e das idéias que eles defendem ou deveriam defender.

Uma das conseqüências mais destacadas é que não é mais o candidato quem pertence ao partido mas é a sigla partidária quem fica dependente do candidato. O exemplo clássico citado no programa é o caso de Lula. Enquanto ele planeja o que fazer depois que sair da presidência em 2010, a maioria dos demais candidatos petistas ainda penam para emplacarem suas candidaturas.

Um outro aspecto mencionado foi a despolitização da disputa eleitoral. Não sei dizer se isso aconteceu nas eleições anteriores, mas o que se verifica agora é a dificuldade em se identificar ideologias por trás dos programas de governo. Eles estariam sofrendo um processo de nivelamento e a identificação ou não com as propostas ficaria dependente do carisma de quem as apresenta. Claro que não é tão esquemático assim. É aquela velha história de que influencia mas não determina.

Também foi lembrada a suavização do discurso de Heloísa Helena quando ela percebeu seu crescimento nas pesquisas. Ela passou a dizer que vai respeitar acordos, contratos, a constituição (...) e que uma coisa é um plano estratégico traçado pelo partido e que outra completamente diferente é o plano de governo na hipótese de ela ser eleita.

Terça-feira, Agosto 29, 2006

Farpas entre candidatos ao governo do ES: Vidigal naTV, Hartung na web

Vendo a propaganda na TV para o governo capixaba, parece que só Sérgio Vidigal assumiu um tom de ataque em seu discurso - o que é natural para quem conta com pífios 15,2% das intenções de voto enquanto Hartung ultrapassa os 65%.

Longe da telinha, fiquei supreso quando vi que
a página de Paulo Hartung trouxe como manchete a informação de que o Ministério Público suspeita de “caixa dois” na campanha de Vidigal. Pra quem deve tá rindo à toa é curioso que ele tenha se preocupado com isso.



O site de Vidigal, ao contrário, continua com sua linha paz e amor e cheia de coraçõezinhos saltitantes. A única referência que se encontra de ataque ao governo Paulo Hartung é um link no alto da página ES que a Propaganda não Mostrou. As fotos para ilustrar o que teria sido varrido pra debaixo do tapete não foram felizes. As fotografias ficaram muito fechadas e qualquer coisa feita dessa forma dá outra conotação ao que é mostrado - parecia as imagens que a TV mostra do dia-adia dos candidatos nanicos. Como se conta nos dedos quem se interesse por Bivar, Eymail e cia - é cômico ver a câmera ter que fazer um plano fechado pra dá uma noção de quantidade do tal corpo a corpo do dia.

Mais: o site Política para Políticos traz quais são as regras - têm regras? - para a propaganda eleitoral feita pela Internet. Uma das perguntas a que se tenta responder é
"Como fica a questão do uso do Orkut, de blogs, etc?"

Segunda-feira, Agosto 28, 2006

Sarney censura blogs no Amapá

A situação para os blogueiros do Amapá não anda nada fácil. Via blog da Alcinéa Calvacante leio que Sarney quer processá-la devido a um comentário que um leitor postou em seu blog. Sarney teria ficado mordido porque o comentário fez referência a uma piada de que no Amapá o ilustre senador tem uma fazenda de burros. Ele exige que o TRE dê o direito de resposta, retire o blog do ar e ainda obrigue a jornalista a pagar uma multa de R$ 100 mil.

A caricatura acima, publicada no blog da Alcinéa e no de sua irmã, também foi um dos fatores do piti de Sarney. O muro pintado em Macapá é um protesto contra o senador que tenta a reeleição no estado onde só apareceu três vezes em 16 anos. Ah tá! Se a charge não for retirada, Alcinéa também vai ter que pagar uma multa diária de 2 mil reais!

"Obrigada pelo apoio. É muito importante para nós. Mas gostaria de esclarecer que Sarney entrou na Justiça contra dois blogs: o meu (alcinea.zip.net) e o da minha irmã (alcilene.zip.net). Na ação movida, quarta-feira contra o meu blog, Sarney pedia a retirada do ar do post e comentários "O adesivo perfeito" (publicado na terça-feira), direito de resposta e aplicação de uma multa no valor de R$ 106 mil. Na sexta-feira, o Tribunal Eleitoral julgou a ação, o juiz Luiz Carlos Gomes dos Santos, relator do processo, negou o pedido de Sarney. Quanto ao blog da minha irmã (alcilene.zip.net), Sarney pediu que fosse retirada a foto do muro "Xô Sarney" (que também está publicada no meu), direito de resposta e multa também de R$ 106 mil. A Justiça concedeu liminar na sexta-feira determinando a retirada da foto. Coincidentemente (ou não) o blog da Alcilene - que é ancorado no uol - está fora do ar desde sexta-feira. Alcilene pediu explicações ao UOL, mas até agora não obteve resposta.Além da persguição aos blogs, a coligação de Sarney vem perseguindo jornais e emissoras de rádio no Amapá." Alcinéa Calvacante

Sexta-feira, Agosto 25, 2006

interrompemos a programação normal (rs), um pouco de Goethe

Encontrei uma longa entrevista com Caio Túlio Costa feita pela Revista de Comunicação em 1997. Caio exerceu a função de consultor do portal Uol - espaço que ajudou a fundar e onde trabalhou de 1996 a 2002.

Na ocasião ele comentou que a interatividade iria exigir mais criatividade e novos profissionais para a internet - mas que a essência do jornalismo permaneceria a mesma. Tanto que ele indicou alguns livros que considera indispensáveis para a formação de quem pretende ser jornalista - e isso, em qualquer época. Fui atrás de uma dessas indicações, Werther (Goethe), apontado como "importantíssimo, porque toca muito no mal, no suicídio, que é uma reflexão que o jornalista precisa fazer".

"Desta vez, sem contradição possível, você enganou-se, pelo menos em comparar o suicídio, que é o assunto em foco, com as grandes ações, quando não se pode considerá-lo senão como uma fraqueza. Decerto é mais morrer do que suportar com constância uma vida de tormentos (...).

- Você chama a isso de fraqueza? Peço-lhe, não se deixe levar pelas aparências. (...) A natureza humana - prossegui - é limitada: ela suporta a alegria, a tristeza , a dor, até certo ponto; se o ultrapassar, sucumbirá. A questão não é saber, pois, se um homem é forte ou fraco, mas se pode aturar a medida de sofrimento, moral ou físico, não importa, que lhe é imposta. Neste caso, acho tão absurdo dizer que um homem é covarde ao dar cabo da própria vida, como seria absurdo chamar de covarde o que corre de uma febre maligna."

considerações sobre Itamar

Sou muito solidário a quem precisa de apoio. Pela segunda vez recebi um recado no orkut de um tal de Itamar, candidato a deputado estadual aqui no ES. Dessa vez ele foi daquele tipo de pessoa que mal abre a boca e já vai pedindo desculpa "Ezequiel, Primeiramente desculpe, mas esta é uma forma de divulgação diferente da tradicional, evitando a poluição visual e sonora nas ruas de nossas cidades".

Fiquei emocionado quando descobri que ele é jovem preparado, idealista e lutador que "começou a cursar Economia, mas a profissão de economista iria distanciá-lo das pessoas, a assim escolheu cursar direito e formar se advogado" - só falta dá um pouco de atenção ao português.

Uma caminhada pela Glória é a única coisa que consta na agenda do cara para esse mês de agosto -com o interessante subtítulo sola de sapato e gogó. Para setembro nada aparece. Ele deve acreditar que o novo campo de luta é a internet e posso dizer que ele venceu ao conquistar um espaço nesse prestigiado blog.

Mais eis que surge uma decepção. Com o espírito jornalístico até às últimas consequências fiquei triste quando descobri que no link notícias não aparece uma informação sequer. Pior! O cara também fez uma tag para um blog que até agora não recebeu nenhuma atualização. Aí não! Isso foi a gota d'água para que ele perdesse o meu valioso voto.

Quarta-feira, Agosto 23, 2006

Eleições 2006 em: cumprimento de tabela

Quinze dias a partir do começo do horário eleitoral. Esse foi o tempo estimado pelo jornalista Fernando Rodrigues para que as candidaturas que ainda não decolaram dêem sinal de vida. A julgar pela última pesquisa DataFolha, vai ser muito difícil dizer que e o imponderável aconteceu.

Dentro da margem de erro, Lula amplia lentamente sua expressiva vantagem sobre os demais, Alckmin sobe um mísero ponto percentual e Heloísa Helena também oscila um ponto para baixo. Os nanicos de plantão continuam na inexpressividade de sempre.

A constatação mais evidente é que a oposição subestimou a capacidade de recuperação de Lula e agora paga por isso. O blog do Alon traz que o principal problema da oposição é não ter se preparado para enfrentar um governo bem avaliado. Bater de frente, apostar na rejeição de um adversário que faz um bom governo, isso é tática arriscadíssima. O recomendável é ir pelas beiradas, dizer que vai manter as coisas boas e melhorar o que não funciona, tentar construir o sonho de um governo ainda melhor, trabalhar a idéia do progresso baseado na convergência, na união. O marqueteiro de Alckmin está tentando fazer isso, mas é uma gota no desastroso oceano de "free media" produzido por tucanos e pefelistas. Foram meses de escárnio em relação aos pobres ("esmolão"), de ataques indiscriminados contra Lula e o PT, de cultivo do ódio. Agora vêm as conseqüências: entre outras coisas, a rejeição de Alckmin já empata com a de Lula. (postagem completa).

Mais: veja também a
análise diária publicada no site Política para Políticos: "Datafolha confirma a posição de Lula e, agora, as apostas correm contra o tempo".

Terça-feira, Agosto 22, 2006

Eleições 2006: especial da revista Veja e a gente esquisita de sempre no horário eleitoral

A revista Veja apresenta um material bem completo (especial) onde se faz um percurso sobre as eleições realizadas desde 1989. Nos vários infográficos é possível encontrar quais foram os parlamentares eleitos desde 1990; um resumo da trajetória dos quatro principais candidatos à presidência nesta eleição além das votações e os percentuais gerais das disputas desde 1989, em cada estado.

A trajetória dos candidatos à presidência é subdividida em origem e família; formação; política e cargos e eleições. No item política do perfil de Lula consta que entre as suas principais plataformas dele estão (ou estavam): moratória, reforma agrária, combate à corrupção (antes da crise) e desenvolvimento.

***

do blog
Vida & Política feito por Wilson Tosta - mais um estreante na blogosfera e que é jornalista no Estadão:

"Vida Selvagem: Estes tipos lombrosianos e figuras bizarras que povoam o horário eleitoral gratuito, principalmente, dos candidatos a deputado na televisão, transformaram-se nos mais eloqüentes cabos eleitorais da reforma política. O desfile de gente esquisita lembra um pouco aquela cena de "True Stories" ("Histórias Reais"), de David Byrne, na qual os sujeitos mais inacreditáveis se revezam cantando "Wild, Wild Life", e nos deixam em dúvida sobre se não estamos diante de um concurso de feiúra. O problema maior, contudo, é o que dizem. Pode alguém realmente acreditar que debate político é balbuciar, em mau português, algumas palavras em cinco segundos, seguidas de um nome e um número? Alguém crê que isso ganhe voto? Aliás, quem vota nesses caras?!"(grifo meu)

E as propostas do PMDB, hein?

Alguém veio do Google ontem procurando pelas propostas do PMDB. Pois bem. Não deu pra saber se a pesquisa se referia a um programa regional ou nacional de governo. Mas é provável que seria mais fácil buscar por um programa regional e que efetivamente tenha sido aplicado. Quando o birrento Garotinho ensaiava a possibilidade de ser candidato à presidência ele deixou claro que o programa (em pdf) que o sutentava não era dele e sim do partido. Ele também deixou clara a divergência que tinha com o programa.

Propostas em nível regional seria mais fácil de encontrar porque isso é o que caracteriza o PMDB, a representatividade nas bases ou os bons e velhos caciques mesmo. Em um trecho do livro Eleição - Vença a sua! os autores lembram que durante o regime militar, as eventualidades e restrições que foram impostas - como a eleição indireta para prefeitos de capitais - foram um dos fatores que favoreceu o crescimento do PMDB e sua consolidação como a principal força política do país.

Acontece que todo esse crescimento também teve como conseqüência o esfacelamento e a recomposição partidária em facções de lideranças estaduais e regionais. O resultado mais notável disso é que o PMDB hoje não tem nenhuma identidade própria que possa remontar à força política que um dia já obteve - mesmo com sua expressiva capilarização pelos municípios.

A propósito: nas eleições presidenciais de 1994 o então candidato pela legenda, Orestes Quércia, obteve menos de 5% do votos. E em 1998 e 2002 se verificou o que se repetiu agora - as disputas internas impediram que o partido lançasse candidato próprio.

Veja também: uma postagem (18/03/06) ainda sobre as prévias do PMDB e outra sobre a invibialidade do PMDB ser uma 3ª via ao PT e ao PSDB.

Segunda-feira, Agosto 21, 2006

Palácio do Planalto: O que eles querem fazer neste lugar?


Resolvi adiantar a disciplina sobre a formação do ES e tive sorte. Na sexta-feira passei a ter aula com uma professora que é uma das referências da Ciência Política aqui na universidade, Marta Zorzal. Fiquei impressionado com a quantidade de informação sistematizada e coerente que ela consegue passar em tão pouco tempo. Vou ter que ler mais e folhear menos se não vai difícil acompanhar as aulas - também tô fazendo uma matéria extracurricular, Representação e comportamento político.

O foto acima faz parte da matéria de capa da revista Istoé desta semana. A reportagem reúne as propostas dos candidatos a presidente sistematizadas em cinco áreas básicas: saúde, segurança pública, educação, política econômica e infra-estrutura. Claro! Tudo isso analisado para se certificar que nada irrite ao deus Mercado Financeiro.

Quinta-feira, Agosto 17, 2006

palestra na Ufes: Violência e segregação socioespacial

O curso de Geografia da Ufes completa 50 anos e de 18 a 25 deste mês promove uma semana especial de mini-cursos e palestras. Uma delas é bem atual e atende a todos os públicos: Violência e segregação socioespacial.

A palestra acontece às 08h da próxima quarta-feira (23/08) no auditório do IC II da Ufes. O palestrante vai ser Cláudio Zanotelli, professor de geografia na universidade.

Quarta-feira, Agosto 16, 2006

Eleições 2006 em: a descoberta dos blogs

Mais estréias na blogosfera

1. O deputado cassado Roberto Jefferson estreou ontem o seu Blog do Jefferson. Pra variar, só fala de política e é contudente quando diz que quer combater a corrupção. Então tá.

2. Dirceu, o mesmo que desperta em Jefferson os instintos mais primitivos, também se lançou na blogosfera no começo do mês. Há controvérsias sobre quem realmente escreve no blog. O experiente jornalista Altino Machado escreve que não acredita "que seja apenas ele o redator e editor do conteúdo do blog".

3. A colunista de política do jornal capixaba A Gazeta - Andréia Lopes - começou sua empreitada pelo mundo dos blogs. Há espaço para sugestões e publicação de textos do leitor.

4. Também segue uma dica de blog de política passada por Sérgio Leo, repórter especial e colunista no jornal Valor, em visita por aqui ontem - o blog do Alon.

etc
5. em período de horário eleitoral, segue um engraçado achado via blog Reflexões - o vídeo da campanha de Silvio Santos à presidência em 1989.

6. De passagem pela Carta Maior, descobri uma reportagem especial sobre pesquisa eleitoral - leitura mais do que indicada.

Terça-feira, Agosto 15, 2006

Blog do presidente iraniano

Muro das lamentações e vitória por mérito individual. Esse foi o tom da primeira postagem do blog do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad que - entre outras coisas - afirmou que mesmo com origem humilde, passou com brilhantismo para a universidade.

É estranha a iniciativa do presidente. Foi ele mesmo quem proibiu o uso dos blogs pelas terras de lá. Para amanhã vou tentar postar mais informações a partir da matéria do jornal Le Monde, em francês.

por enquanto segue trecho de uma postagem blog Vivendo em Hipermídia:

"Paradoxal: Essa é a primeira palavra que me veio à mente quando fiquei sabendo, através do César, que o presidente do Irã resolveu cair na rede e blogar.

Primeiro porque, como diz a reportagem citada, ele nunca teve nada a ver com a Internet e até falava mal de jornalistas e blogueiros antes de virar presidente.

Segundo porque ele é a figura que representa o governo iraniano que, ao lado do chinês, realiza os maiores avanços na censura da internet, mas que usa uma ferramenta idealizada para tornar a publicação de informações mais fácil e acessível até mesmo a usuários com pouco conhecimento técnico.

Ou seja, pegue um sujeito que não gosta de jornalistas, blogueiros e liberdade de informação; o coloque à frente de um governo que pratica a censura implacavelmente e lhe dê uma ferramenta que facilita a publicação da informação para que possa falar o que quiser contra ou a favor de quem quiser e terá aí mais uma das incoerências e paradoxos do Oriente Médio."

Ps.: Para amanhã, a Juliana - minha tradutora de plantão, vai tentar traduzir a matéria do jornal Le Monde de onde a imagem foi copiada.

Debate que virou bate-papo II

Do blog do Fernando Rodrigues:

Propaganda eleitoral – começa o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, que vai até o dia 28 de setembro. As duas primeiras semanas devem dar o tom final da campanha. O prazo para quem não decolou nas pesquisas é de uns 15 dias. Depois, não é impossível, mas fica mais difícil.

Debate presidencial – vai repercutir o debate de ontem à noite, na Band? Certamente, cenas da cadeira vazia de Lula vão aparecer nos telejornais da emissora. Também nos comerciais do horário eleitoral.O blog tem dúvidas sobre o efeito real desse debate sem Lula. Sejamos sinceros: ninguém discutiu nada que prestasse, pois não há tempo para grandes explicações com aqueles nanicos atrapalhando, certo?

charge: edição de hoje do site charge online

Debate vira bate-papo


A Band bem que tentou reforçar a idéia de um debate que iria marcar o início oficial das Eleições 2006. O que se ouviu nos telejornais da emissora era que o primeiro encontro dos presidenciáveis indicaria os rumos que a campanha tomaria a partir de então. Mas o que se viu nos 5 blocos que foi ao ar foi mais um bate-papo entre amigos do que propriamente um debate.

Um ilustre ausente foi o que mais esteve presente na noite de ontem - o presidente Lula. Se estivesse por lá é certo que ele seria a bola da vez. O presidente foi constantemente citado a cada crítica mais contundente que era feita.

O debate foi descontraído. Em determinado momento Cristóvam Buarque e Heloísa Helena chegaram a trocar cumprimentos de solidariedade. Buarque e Luciano Bivar encontraram tempo pra relembrar de quando jogavam futebol juntos. A coisa fez um ensaio de ficar boa no 4º bloco quando foi a vez dos jornalistas fazerem perguntas a determinado candidato e escolher um outro presidenciável para comentar a resposta.

É ocioso lembrar que Luciano Bivar e José Maria Eymael praticamente foram ignorados e só foram questinados quando a regra do debate não permitia que Heloísa Helena, Geraldo Ackmin ou Cristóvam Buarque fossem novamente escolhidos para responder.

Se era pra deixar claro a linha que os candidatos vão seguir ao longo da campanha, algumas coisas parecem ter ficado claras:
Alckmin, com seu inseparável slogan de ética e eficiência, vai continuar se enrolando para explicar o caos na segurança pública de SP. Vai afirmar também que segurança é uma questão nacional, logo de responsabilidade do governo federal (Lula); HH vai dizer que a viabilidade de suas propostas depende da tal da redução dos juros e que sob seu governo não vai haver corrupção - aquela velha história de se colocar como o paladino da moral se repete; Buarque vai continuar com seu som de uma única nota - a educação resolve todos os problemas; Bivar e Eymael já ganharam a eleição: pelos menos em relação à inserção do dia-a-dia de cada candidato conseguiram uma igualdade de tempo.

charge: edição de hoje do site charge online (Diário do ABC)

Sexta-feira, Agosto 11, 2006

Financiamento de campanha: a tal da transparência fica a desejar

Curioso. Numa eleição marcada pela tentativa de transparência e de combate à corrupção, nesta segunda o TSE divulgou a declaração que os candidatos fizeram onde consta os valores arrecadados até o momento para a campanha eleitoral. A próxima divulgação será em 6 de setembro e não se menciona a origem do dinheiro - o que será feito apenas um mês depois das eleições.

No longo post campanha: quem paga? (18/10/05) foi reunido algumas razões que levam alguém a contribuir com determinado candidato. Fica claro que isso pode ser um forte determinante que iriá guiar o eleito no cargo conquistado. Transparência por transparência, saber antes do voto de onde veio o financiamento ajudaria a traçar desde já que perfil terá o candidato caso seja eleito.

Em matéria do jornal O Globo, o diretor-executivo da ONG Transparência Brasil é categórico quando diz que "Isso não adianta de nada, é peça de ficção. Sem os nomes dos doadores, o dinheiro vai continuar circulando pelos subterrâneos e não há nada a fazer".

eu acredito
são contribuições do eleitor ideológico, que acredita nas idéias do candidato e trabalha como pode para fazê-lo prosperar. A ajuda financeira, nessa categoria é pequena, coisa de 50, 100, 200 reais. É um tipo de contribuição raro no Brasil.

é meu colega
são contribuições de caráter corporativo, quando o eleitor dá dinheiro ao candidato que representa sua categoria profissional na esperança de que apresente projetos que o favoreçam. A doação corporativa existe em todas as categorias, mas é particularmente visível entre servidores públicos.

me ajuda, vai
é a contribuição defensiva. São empresas ou entidades enroladas, ou alvos potenciais de uma investigação. Exemplo: a Confederação Brasileira de Futebol doou mais de 1 milhão para formar a “bancada da bola” - que, por sua vez, sempre defende a CBF das suspeitas de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Continua

depurando

Pra quem não tinha interesse por política, nesses 10 meses de blog temos avanços:

Me peguei namorando e comprando os livros Jornalismo Político (Franklin Martins) e As estratégias sensíveis - afeto, mídia e política de Muniz Sodré, professor da UFRJ. O livro do Franklin tô lendo pela segunda vez, o do Sodré ainda tento decifrar.

O discurso de lamento diminuiu. As leituras para o projeto de pesquisa contribuíram bastante nesse sentido. Para esta eleição ainda não tenho candidato, mas - ao máximo possível - ninguém vai ser submetido ao paredão da boa ética e moral. Debaixo do sol, não há quem resista a ele. Cínico? Não. Prefiro pragmático.

Quarta-feira, Agosto 09, 2006

Eleições 2006 em: a difícil tarefa dos aspirantes a cargos no legislativo

O interesse do eleitor pela política pode ser baixo, mas é ainda menor quando se refere às funções do legislativo (deputado, vereador). No site Política para Políticos há uma interessante análise a respeito onde se destaca que tomado isoladamente e em comparação com os demais políticos, o legislador é aquele que possui menos poder. Por consequência, a cobertura desse setor tende a ser menor e o interesse do eleitorado também seguiria por esse caminho.

Aliado ao menor poder que deputados e vereadores possuem, existe ainda o fator de que na atividade não existe a empolgação, o drama e a facilidade para a criação de personagens que tanto direciona o critério do que será noticiado:

a ausência da dramaticidade do conflito existente entre candidatos a cargos do executivo;

a condição da escolha exclusiva - no executivo apenas um ganha, os demais perdem, enquanto que no legislativo vários ganham;

o fator de que a eleição para o executivo é reportada pela mídia como uma "corrida de cavalos", identificando com clareza os concorrentes, acompanhando nos mínimos detalhes as ações, as estratégias, as mudanças de posição, que são praticadas durante a corrida etc.

Claro, o nome do
site é Política para Políticos. A mesma série de textos sobre o legislativo em que se despeja um mundo de problemas também é possível encontrar o que pode ser feito para atrair o eleitor e se destacar no meio de tantas caras pálidas.

Terça-feira, Agosto 08, 2006

Outra linha de pesquisa

Assim, como Ezequiel, eu desenvolvi ao longo de um ano, uma pesquisa de iniciação científica. A Minha área é voltada para a responsabilidade social do jornalista e o jornalismo como serviço público, tendo como veículos de estudo a televisão e a revista. É fundamental que esta discussão seja feita, pois a notícia e as informações intereferem na nossa realidade, criam pânicos, lutas e satisfações. Assim, buscou- se entender um pouco dessa influência exercida pelo papel social do jornalista na sociedade e a crise dos valores jornalísticos.

A ABORDAGEM JORNALÍSTICA SOBRE A VIOLÊNCIA PELO VIÉS DA TELEVISÃO E DA REVISTA

"As questões sociais pertinentes ao profissional de jornalismo, muitas vezes, são prejudicadas pelas situações de trabalho e medidas inadequadas de organização da apuração das pautas. Para tanto, buscou –se estudar a perspectiva do jornalista como prestador de um serviço público (a mediação ao acesso às informações) e a sua responsabilidade social para com seus leitores(no caso das revistas) e telespectadores. A partir dessa temática, foram estudados os veículos : televisão, estudo de caso do Jornal Nacional, e revistas, estudos de caso da Veja e da Istoé. Assim, com o objetivo de resgatar a responsabilidade social do jornalista e o jornalismo como serviço público foram analisadas as abordagens jornalistas sobre a problemática da violência nos meios de comunicação já citados. Além disso, teve –se colaboração por meio de entrevistas e informações em endereços eletrônicos na Internet como “sites” e “blogs”. A pesquisa foi realizada para identificar como as influências dos jornalistas interferem na sua forma de apuração das reportagens independente do veículo e formato editorial que trabalham. Logo, as matérias chaves de estudos de caso foram o tratamento aos problemas de violência no Rio de Janeiro comparados aos ataques terroristas do Iraque e a Semana do terror na França devido à problemática social dos imigrantes. Apesar da diferenciação da linguagem jornalística entre os veículos, percebeu-se que o enfoque da notícia eram os mesmos: a busca pelo sensacionalismo e a falta de contextualização das informações" - Juliana Farias

Segunda-feira, Agosto 07, 2006

A Crise Política do Governo Lula sob a ótica de Veja e Carta Capital

Um artigo interessante que me ajudou a desenvolver meu projeto de pesquisa foi um trabalho apresentado no Intercom deste ano: A Crise Política do Governo Lula sob a ótica de Veja e Carta Capital. Claro que os autores do estudo já sabiam muito bem que resultados iriam obter - enquanto a revista Veja sempre se opôs abertamente ao governo Lula, Carta Capital foi uma das primeiras a manifestar seu apoio ao então candidato em 2002.

Uma das conclusões que se pode tirar da análise comparativa feita das duas revistas é o que também está presente no livro de Wilson Gomes Transformações da política na era da comunicação de massa - a imprensa não exerce tão somente uma atividade de mediação como também é mais um ator em disputa na cena política.

Ps.: agradeço ao Lucas que em resposta ao post anterior deixou um link para o site do TSE onde é possível encontrar um perfil completo de todos os candidatos nessa eleição.

Câmara Federal: o perfil dos candidatos à reeleição

Como quem não quer nada encontrei uma ótima dica na comunidade do orkut Jornalistas Blogueiros. No site Transparência Brasil há uma relação com os nomes dos deputados federais candidatos à reeleição.

Diferente do que acontece com o TRE-ES - que traz o perfil de todos os candidatos capixabas nesta eleição mas que não menciona nomes - por lá o perfil é bem completo. Tem nome, CPF, a quantidade de votos na última eleição, a declaração de quem a financiou etc etc.

Dei uma olhada sobre as informações que constava sobre alguns nomes: o agora anônimo José Genoíno, pelo que aparece, na última eleição só recebeu 8 votos (rs); Enéas foi o único financiador de sua campanha no valor de 65 mil reais e o perfil mais visitado até agora é o do ex-ministro Antonio Palocci.

PS.: Agradeço a quem souber de alguma relação que apresente todos os aspirantes à câmara federal.

Sexta-feira, Agosto 04, 2006

As eleições e o tal do voto consciente

Imprensa e eleições parlamentares

por Josenildo Guerra

Uma coisa interessante acontece com a cobertura do parlamento durante o período eleitoral quando comparada a dos cargos majoritários. Nesta, geralmente, ocorre uma equiparação – ou superação - do volume de material jornalístico sobre a campanha em relação à rotina de suas instituições. Naquela, entretanto, um arrefecimento da cobertura de rotina – em função do recesso branco, claro – e um enorme silêncio sobre a campanha dos partidos e de seus candidatos às cadeiras do parlamento.

Apesar de haver um quase consenso acerca da má qualidade de nossa representação política parlamentar, não se observa nenhuma iniciativa destacável por parte da imprensa com vistas a elevar o rasteiro patamar no qual nossos legislativos têm se limitado. Não que eu conheça, pelo menos, no que gostaria imensamente de ser contestado. Ao contrário, como sua pauta é profundamente dependente da agenda de vossas excelências, acaba por padecer do mesmo mal.

As investidas que costumam acontecer são aquelas batidas de sempre: “Você se lembra em quem votou prá deputado nas últimas eleições”. Seguidas, obviamente, de respostas também batidas: “Não sei”, “Não me lembro”, “Vixe, você me pegou agora!”. Matérias que responsabilizam os eleitores – sem dúvida, merecem ser cobrados na parte que lhes cabe – mas nem arranham o essencial do problema, a saber, o correto entendimento sobre a importância dos partidos, a aplicação das regras para as eleições proporcionais e os temas que interessam e têm de estar na ordem do dia. Continua no site Mídia&Política

A propósito: às 15h30 da próxima quinta-feira (10/08) a Assembléia Legislativa capixaba promove uma palestra sobre "a importância do voto consciente". Claro, certamente a corrupção e cia deixará de existir pelo simples fato de o eleitor ter mais critério na hora de votar. Certamente....