Sexta-feira, Setembro 22, 2006

nova plataforma

Pois é, mudei. Agora tô em http://polimidia.wordpress.com/

Já pensava em fazer alguma alteração e agora que o blog tá perto de completar 1 ano é uma ótima desculpa pra isso. Te espero lá!

Quarta-feira, Setembro 20, 2006

Até que ponto o Brasil é tão bom quanto o seu voto?

Nunca gostei da propaganda do TSE. "O Brasil está nas suas mãos. O Brasil é tão bom quanto seu voto. No dia 1o de outubro somos mais de 125 milhões de patrões". Tive ainda mais razões pra detestar quando folheei de novo o livro Transformações da política na era da comunicação de massa (Wilson Gomes) e encontrei o seguinte trecho:

"Com a especilização de funções e poderes em duas esferas distintas, a democracia sempre se viu nas malhas da controvérsia sobre a efetividade do poder da esfera civil. No interior dos discursos de autolegitimação de que é pródiga, a democracia tem um dos centro dogmáticos na idéia de soberania popular, a idéia segundo a qual o conjunto de cidadãos se autodetermina politicamente e o povo está no comando do Estado. Nessa perspectiva, a esfera civil é constituída pelos mandantes e a esfera política, pelos mandatários. Historicamente, entretanto, o centro de poder do Estado parece ser ocupado pela esfera política, cujo núcleo está no governo, restando à esfera civil apenas intervenções episódicas em eleições para escolher, em função do cliente, uma dentre várias opções de configuração do Estado produzidas pela esfera política e oferecidas no balcão eleitoral.

Em outras palavras, na divisão social do trabalho político, para usar a expressão de Bourdieu, a esfera dos mandantes, mais nobre em termos ideológicos, tornou-se historicamente mais passiva, enquanto a esfera dos mandatários, que do ponto de vista da ideologia democrática é secundária, tornou-se mais ativa e efetiva".

Domingo, Setembro 17, 2006

palestra de sexta à noite: "O presídio é a lata de lixo para uma massa que deixou de gerar interesse"

atualizado em 19/09/06
O momento era para discutir as relações entre mídia e o sistema prisional no ES, mas o que foi apresentado pode ser ampliado para além da realidade capixaba. Destaco a fala de Júlio Pompeu quando comentou que a prisão só tem importância porque alimenta uma sociedade de exclusão. "É um problema social. Mas a nossa sociedade não é de inclusão. É de exclusão sistemática".

Claro que Pompeu não obteve unanimidade. Pude perceber isso pelo burburinho das pessoas na saída da palestra. "Ele exagerou. Não é bem assim não" etc etc - ainda incomodava a fala de que o prisídio nada mais é do que a lata de lixo da sociedade. "De uma forma geral, o que se espera é que as pessoas não saiam de lá nunca mais. Se morrer, ótimo!"

"O sistema prisional não é um fracasso, é um sucesso. Você é quem foi enganado quanto ao projeto e ao objetivo dele."

Pompeu explica que a hipótese de Foucault (foto) - autor presente em seu TCC, mestrado e doutorado - é a de que as macroinstâncias da sociedade são compreendidas por meio de suas microinstâncias. "Quando a massa se tornou importante industrialmente foi que ela se tornou objeto de políticas públicas. A prisão era uma casa de disciplina porque a sociedade era disciplinar. Intensificada a disciplina, o indivíduo está plenamente displinado e adequado à sociedade". Acontece que não há mais necesssidade de pessoas para produzirem. Há excesso. "Não somos uma sociedade disciplinar porque a massa deixou de gerar intesse". continuação deste post

Ps. 1: um relato mais completo da palestra pode ser lido no Grito Sufocado


Ps. 2: para quem quiser saber mais do pensamento de Foucault a UnB criou o Espaço Michel Foucault onde se pode encontrar biografia, links, textos em português e artigos do autor. O orkut também tem quase 1000 comunidades relacionadas a ele. A que tem mais cara de conteúdo encabeça a lista e conta com 13885 membros. O link é este.

Ezequiel Vieira

Sexta-feira, Setembro 15, 2006

Partido puro debate, mas não ganha eleição, conclui cientista político

Essa era a única conclusão possível depois de tudo o que foi apresentado na postagem de quarta-feira - o que também ajuda a entender o porquê da candidatura de Heloísa Helena não ser viável desde o começo. Outras hipóteses, vindas diretamente da minha aula de Representação e comportamento político de ontem à noite, é que: o Psol é um partido novo e que não tem organizações fortes o suficiente para mobilizar a candidatura presidencial pelos estados; as pessoas entendem que o figurino básico de blusinha branca e calça jeans é muito bom pra se combater à corrupção, mas não é o bastante pra ser presidente - o eleitor desejaria uma imagem de comando, de uma executiva que saiba fazer outra coisa além de esbravejar.

Mas enfim, é melhor ir direto às contra-argumentações feitas no debate:

2. A viabilidade de uma 3ª via no processo eleitoral
Um partido que seja só de centro também não ganha eleição e é exatamente essa a característica do único partido forte que teria condições de fazer a tal da alterrnativa ao PSDB e ao PT. A organização partidária brasileira, pela explicação de Fabiano, ajuda a entender o motivo de o PMDB há três eleições não lançar candidato próprio à presidência.

O cenário político brasileiro seria caracterizado por uma tendência centrípeta - os partidos saírem das extremidades e caminharem para o centro. Nome o PMDB até tem, mas não é só ser centrista que garante vitória. E é exatamente onde aí que residiria o problema. Se o candidato peemedebista caminhar para esquerda, já encontra o lugar ocupado pelo PT, se caminhar para a direita, vê que o PSDB chegou primeiro - "as rotas para agregar algum capital eleitoral já estão devidamente ocupadas".

"A única saída pro PMDB - como já foi mencionado por aqui no post E as propostas do PMDB, hein? - seria sobreviver no legislativo e nos estados. Ele não tem condições de competitividade se não definir a qual tendência pertence, pois só ganha eleição quem modera o discurso e vira centro-esquerda ou centro-direita. Não há espaço para meio-termo, extremados ou indecisão".

Por esse raciocínio não há, em condições normais, espaço para candidaturas imaculadas terem sucesso em nosso querido país. Se o partido mantiver o estado puro, ele não amplia o patrimônio de votos, se ficar moderado, vai perder o apoio inicial dos radicais.

Ps 1: a terceira contra-argumentação vai ficar postada no comentário.
Ps 2: segue uma seção especial da Folha de S. Paulo sobre as Eleições 2006

Ezequiel Vieira

Quarta-feira, Setembro 13, 2006

Prezados...

A carta de FHC enviada "aos militantes, simpatizantes e eleitores do meu partido, e mesmo às pessoas de boa fé que olahm a política com atenção, embora sem se envolver com a vida partidária" serviu de palanque para muitos outros políticos falarem sobre as suas propostas de moralizar este país.

Bem-recebida por uns, criticada pela maioria, o fato é que esta carta agradou somente à chamada elite branca, aquela mesma, do Cláudio Lembo. Este mesmo que ao saber da epístola, arrematou dizendo que escrever carta é coisa de velho... Fazer o quê? Mandar um e-mail, montar um blog? Penso que a carta foi redigida para dar um ar mais intimista ou até mesmo lembrar daquelas cartas endereçadas ao presidente feitas por crianças e cidadãos mais tradicionais. Foi apenas uma direção inversa.

FHC quer sim lembrar dos tempos áureos do PSDB, tempos queridos (por ele, esclareço) que não voltam mais. Pelo menos não neste pleito. Os escândalos relatados no último ano não conseguiram tirar a confiança do povo em Lula. O que aconteceu foi uma desilusão de parte da população, que irá reagir com o voto nulo. Reação que será inútil, pois votos nulos, ao contrário do que o mito diz,
não invalidam a eleição e apenas ajudam os candidatos "tarimbados" a precisar de menos votos para se elegerm. Ou seja, facilita em vez de impedir.

A cartinha, então se transformopu em só mais um personagem dessa eleição. Mas o PSDB, apesar das controvérsias ainda não morreu. É que o projeto dele é pra 2010. Resta saber se o sorteado será o Serra, como quer a cúpula ou o Aécio Neves, como ele quer.

A diferença entre esquerda ou direita de manifesta na ênfase dada às questões, diz professor da Iuperj

A condução do debate "A democracia e processo eleitoral"* se fez por duas linhas básicas. A primeira seria que discurso extremado não ganha eleição. A segunda, que na verdade é conseqüência da anterior, é que partidos competitivos se assemelham para conseguir um fim comum: votos. "Mas eles não são os mesmos. A aparente semelhança esconde diferenças importantes".

Essa foi a fala do professor e doutor em ciência política/Iuperj, Fabiano Santos (foto), no momento em que ele contra-argumentou três teses que nortearam a análise do processo eleitoral de meados de 2005 pra cá.


1ª tese: A semelhança entre o PT e o PSDB. Em essência eles seriam a mesma coisa
2ª tese: A viabilidade de uma 3ª via no processo eleitoral
3ª tese: A corrupção como critério determinante na escolha do candidato

*Também participou do debate de hoje pela manhã (auditório do IC IV - Ufes) o também doutor em ciência política e professor da Ufes, André Pereira.
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1. A semelhança entre o PT e o PSDB. Em essência eles seriam a mesma coisa
. Fabiano destacou que a análise das eleições realizadas a partir de 1986 permite afirmar que a característica do processo eleitoral brasileiro tende para a estabilidade. A única novidade, verificada ao longo desse período, seria a da transformação do PT em um partido forte.

A disputa partidária se daria hoje fundamentalmente em torno de quatro legendas: PT, PSDB, PFL e PMDB - com a clara polarização entre PT e PSDB desde 1994. Esse quadro permitiria aproximar o sistema político brasileiro ao de democracias mais maduras - em que o cenário partidário se estabiliza em torno de algumas forças políticas e as eleições para o executivo girariam em torno de dois pólos. Um ligado às questões do trabalho (centro-esquerda) e o outro ligado a forças empresariais (centro-direita).

Esse quadro levaria os partidos a montar um discurso mais moderado na tentativa de conquistar a confiança "do eleitor que não é nem de direita nem de esquerda. Está no centro." O professor citou o exemplo das eleições majoritárias em que se disputa 50% mais um das intenções de voto. Para um partido obter essa maioria, além de ter que conquistar o voto do eleitorado de esquerda e de direita, seria inevitável a moderação do discurso para também alcançar o eleitorado de centro. "Quem conquistar a confiança do eleitorado de centro, ganha a eleição".

Por essa esquematização, PT e PSDB seriam sim partidos de esquerda e de direita, mas que precisam atender a uma agenda de questões nacional da qual é impossível fugir. A conseqüência mais evidente é a da semelhança entre os programas de governo tucano e petista. "A diferença vai ficar então na trajetória histórica de cada partido e na ênfase dada a cada questão. Mas isso não significa que os partidos sejam os mesmos".

Fabiano afirma que o PSDB no governo se caracterizou por uma ação de capitalismo. "As reformas foram orientadas para o mercado. A coisa mais importante era estabelecer condições e gerar confiança para que se tivesse investimento do setor privado. A ênfase do PT não foi essa. E esse é um fator determinante para o favoritismo de Lula - a política social.

O professor, num inseparável didatismo, continua dizendo que existem restrições objetivas para aquilo que é possível fazer no Brasil. E essas retrições "estão colocadas para qualquer governo - vindo da direita ou da esquerda. Essa realidade não aparece no processo eleitoral e faz com que candidatos realmente competitivos adotem praticamente o mesmo discurso."

Ps 1: as outras hipóteses vão ser postadas na sexta. São elas:
2. A viabilidade de uma 3a via no processo eleitoral
3. O caráter decisivo da corrupção no processo elitoral de 2006

Ps 2:as análises foram propostas em fevereiro deste ano.

Terça-feira, Setembro 12, 2006

Debate na Ufes discute o sistema prisional capixaba

Agora que virei catador de cartazes pela universidade, segue mais um debate marcado para a próxima sexta-feira (15/09) - Mídia, Direitos Humanos e a situação prisional no Espírito Santo. Os debatedores serão:

*Isabela Lacerda - militante da Pastoral Carcerária

*Ines Simon Ferrira - diretora do Sindicato de Jornalistas de Vitória

*Marcos Monteiro - editor de polícia do jornal A Gazeta

*Júlio Pompeu - integrante do Núcleo de Estudos sobre Violencia, Segurança Pública e Direitos Humanos da Ufes (NEVI/Ufes) - mediador. O debate será no auditório do IC IV äs 19h.

Segunda-feira, Setembro 11, 2006

11 de setembro

"A mídia não era o alvo. Era o objetivo. Precisava ser acionada e explorada ao máximo. Para magnificar. O terror funciona para aterrorizar e sem divulgação não há terror. Matar é secundário, o terrorista precisa intimidar. Pela irradiação do medo obtém efeito maior: mata a capacidade de reação da sociedade. Os dezoito minutos de diferença entre os choques nas duas torres do WTC indicam que os terroristas contavam com a agilidade da mídia americana para flagrar em toda a extensão o segundo abalroamento e os dois desabamentos. Foram recompensados." continua na edição de 19 de setembro de 2001 do Observatório da Imprensa.

Segue também relatos que brasileiros que moram nos EUA fizeram em seus blogs hoje

Convivendo com o 11/09 -
"Logo que chegamos aqui, recebemos esse folheto que é um guia para a preparação para uma emergência, editado pelo nosso "county" (região do estado). O folheto explica o que é bioterrorismo, dá números de telefones onde podemos buscar informações e números de emergência. Também explica como se preparar para um ataque". continua

Madrugando - "
aqui em NY sao 5 anos daquele dia triste. Não sei se teria coragem de trabalhar naqueles predios q eles supoem construir. Muitos americanos dizem q nao. O q posso dizer é q passar ali, onde tudo aconteceu é triste. Eu nao gosto de sair por ali no metro". continua

Sexta-feira, Setembro 08, 2006

texto da Andi: Juventude e outras formas de participação

nova sessão: o post que queria ter feito

De passagem pelo site da Andi encontrei um texto cujo conteúdo sempre tive remoendo mas que até agora não tinha conseguido elementos suficientes pra escrever. Segue um fragmento:

"Juventude e outras formas de participação

A juventude brasileira carrega hoje um estigma de ser alienada, desinteressada pelos problemas do País. Depois das gerações dos anos 60 e 70 que lutaram contra a ditadura, dos anos 80 que lutou pelas Eleições Diretas e da geração cara-pintada que foi para as ruas defender o impeachment do presidente Collor, a geração dos anos 90 em diante, pós-redemocratização, tem sido constantemente alvo de críticas por parte de políticos ede alguns setores da sociedade.

Esse rótulo, entretanto, revela um preconceito. Primeiramente, não há índices que indicam o número de jovens que participavam de movimentos políticos em outras décadas. Outro ponto é o fato de que a juventude atual está participando da política por meio de canais diferentes dos tradicionais. Em lugar de militâncias partidárias, jovens e adolescentes optam hoje pela atuação através da arte e de instituições do terceiro setor. Mas ainda assim há uma contradição: a maioria das instituições que procura incentivar a participação juvenil é gerida por adultos, o que muitas vezes faz os jovens se tornarem passivos diante dos projetos desenvolvidos. Esse tem sido um tema discutido com freqüência entre as organizações voltadas ao trabalho com jovens e adolescentes: será que os jovens participam das decisões dessas instituições que trabalham com projetos voltados para este público?

É claro que o incentivo aos jovens promovido por essas instituições é bastante importante porque elas procuram inseri-los socialmente e torná-los mais conscientes diante dos problemas vividos pela sociedade. O problema é que ao assumir todas as decisões, os adultos acabam causando uma pseudo-participação desses jovens. Eles passam a não participar democraticamente das decisões relativas aos projetos que são desenvolvidos justamente com intuito de incentivar essa participação. Os adultos cobram a participação juvenil, mas não dão espaço para que os jovens participem ativamente." continua no link conversa afiada

Jornalismo na era digital: "quem sou, pra onde vou?"

Via blog Atina Chile encontro uma postagem bem completa com mais uma daquelas análises sobre que rumos tomará a imprensa com a era digital. Vamos a algumas hipóteses:

A imprensa tradicional se manterá: o jornalismo impresso sobreviverá, mas como um produto específico e elitista. O futuro é digital, mas a diferença não é uma simples mudança de suporte. É uma mudança estrtural que não ocorria desde o aparecimento da imprensa popular no final do século XIX. A questão é saber onde está o conteúdo informativo e qual seu processo, fonte e atores.

A informação e o novo campo de debate agora está na internet: o futuro é digital, móvel, audivisual, mas sobretudo, também é muito mais crítico e rizomático - mercado de nichos e não de grande consumo. A nova plataforma de informação obriga a abertura de um espaço de participação e interação com os leitores - não só ouvir o que eles têm a dizer mas também agregá-los na elaboração da notícia.

O importante é que a notícia, a informação e o debate não está mais restrito à imprensa tradicional. A democratização da informação que os blogs eo periodismo 3.0 tem multiplicado o número de fontes. "La audiencia tiene más sitios interesantes donde informarse y contrastar opiniones." Se a sociedade e o poder estão em constante reconfiguração, por que o formato do jornalismo continuaria o mesmo?

Quarta-feira, Setembro 06, 2006

Independência ou Morte!

Às vésperas de um momento sublime como a comemoração do dia da independência, fico pensando até que ponto esta data é válida. Uma primeira idéia que surge é ter aquele dia para se pensar e refletir sobre o nosso cotidiano.

Quando éramos apenas crianças, 7 de setembro marcava o dia do desfile. Todos uniformizados, com o hino nacional decorado na ponta da língua, roupas impecáveis, uma fila que nunca antes era respeitada. No bairro onde morava, o feriado era de fato motivo de comemoração.Esta era a oportunidade perfeita de todos mostrarem sua performance como cidadãos legítimos e honrados.
Passamos por revoluções, torturas, massacres, preconceitos e o que ficou decidido? A quem coube determinar justiça, ética?

Ao longo dos anos, as variadas mídias buscam nos informar dos acontecimentos e tal. Só tragédias, escandâlos e poucas sanções a tamanha impunidade e porque não dizer falta de respeito a nós, que tentamos honrar nossos compromissos e contratos sociais.

Penso que este dia é um mecanismo de iludir a um falso nacionalismo, patriotismo, orgulho só visto em copas do mundo; pois nem para os outros esportes nos vangloriamos tanto. Só aceitamos ser os primeiros, contudo nada é feito para conquistar tal primeiridade ou secundidade. São esforços isolados de mudança.

O interessante é pensar, quanto mais conectados estamos pela rede mundial das infovias, mas distantes da nossa realidade local nos encontramos. Buscar respostas já é uma tentativa de mudança?

Elitizada, a campanha pelo voto nulo não emplacou

O Fernando Rodrigues trouxe hoje uma postagem sobre o tal do voto nulo 50% dos votos nulos não anulam a eleição, diz Marco Aurélio, do TSE - assunto que já foi tratado por aqui em março.

"Acabou um dos mitos mais recorrentes na internet durante o atual processo eleitoral: o de que 50% ou mais dos votos nulos dados pelos eleitores anulariam o pleito sendo necessária a convocação de nova votação. É quase impossível encontrar alguém que não tenha recebido o spam da campanha que divulga essa lenda. Pois o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, diz que essa determinação não existe na lei, não está na Constituição e há até uma decisão recente da Corte (de agosto último) falando exatamente o oposto."

Vendo as comunidades do orkut dedicadas ao voto nulo, se nota que a maioria surgiu depois das denúncias de corrupção no governo petista. É como se as pessoas tivessem ficado órfãos de sua única esperança de salvação. É impossivel encontrar exemplos de governos puramente íntegros. E se a esperança das pessoas acabou pelo que vimos em 2005, azar o delas por acreditarem em mágica ou em algum redentor.

Em uma visão, digamos assim, fria, os escândalos no governo Lula não é maior do que houve em outros governos. Olhando aqui e ali, em movimentação financeira, o escândalo não se compara ao que houve nas eras Collor e FHC. E há ainda a lembrança de um outro fato: Vargas foi colocado no poder com uma plataforma de esquerda e governou para a direita, caminhando também em direção ao fascismo. Se é pra se escandalizar, vamos então a um contexto mais amplo. Ainda falta muito chão pela frente, mas o projeto de pesquisa ajudou bastante nesse sentido de fazer separação entre o que é realidade e daquilo que não passa de mero discurso mesmo.

Etc: do blog do Sérgio Leo - Onde fica a esquerda?
"O comentrário do Rossi toca, de leve, em um problema que é, de fato, a maior deficiência da esquerda (e um brevê contra as utopias do Piçol, o partido da senadora): esquerdista que prometa chegar ao poder para fazer um governo diferente dos comandados por políticos tradicionais só tem chance de cumprir a promessa se for eleito a partir de um amplo, consistente e consciente movimento de massas." continua

Terça-feira, Setembro 05, 2006

Reforma política: sempre lembrada mas nunca discutida

Uma das discussões do Canal Livre Eleições de ontem foi a sempre lembrada e também adiada reforma política. Foi mencionado que na campanha e no discurso de posse de FHC lá estava ela como mais uma meta a ser cumprida. Fernando Henrique teria dito que não pôde cumprir a promessa senão o seu governo iria a nocaute.

Durante o programa, o cientista político David Fleicher comentou algo parecido quando explicou o porquê da reforma também não ter saído durante o primeiro mandato de Lula - o PTB, o PP e o PL teriam chantageado o governo afirmando que barrariam tudo o que fosse proposto.

Também foi considerado como ponto fundamental a acentuada deficiência que não atinge apenas o sistema representativo brasileiro: seja pelas relações entre mídia e política na Itália (caso do Sílvio Berlusconi) ou pela falta de legitimidade de um governo constituído (caso evidente durante o primeiro mandato de Bush), por exemplo.

"É claro que uma reforma não vai ser o milagre que resolverá todos os problemas mas, se ela não for realmente discutida e concretizada de fato, o quadro vai permancer sempre o mesmo independente de quem é governo: as negociações no parlamento vão continuar sendo na base de cargos e verbas; os políticos vão continuar alugando seus mandatos a grupos de interesse e os partidos vão continuar entregando seus cargos pra quem pagar mais"

Ps: para o final do mês tá em andamento um post especial sobre o tema da reforma política.

Segunda-feira, Setembro 04, 2006

estatísticas de 11 meses e blog novo na rede

1. Lá se vão exatos 11 meses desde que o blog foi criado. Vamos a algumas estatísticas:

* São
15 blogs que trazem link para cá - segundo o Technorati.

* O blog conta com o total de 3347 acessos, 4452 page views e 211 postagens. Começamos com uma média diária de 14 visitas e hoje, com o período que antecede às eleições, alcançou a média de 26 acessos por dia - e até agora tô tentando entender o pico de 56 visitas na metade de agosto.

* Desse seleto público fiquei todo bobo quando tive a visita e
comentário do colunista do jornal Valor Econômico, Sérgio Leo, e da jornalista e pesquisadora Cláudia Quadros - cujo comentário do blog pode ser lido no mural de recados.

*Antes tarde... Só por esses dias descobri que no cabeçalho do blog já existe uma ferramenta de busca pelas postagens - mas a ferramenta do yahoo vai continuar por aqui.

*A boa vida de bolsista de projeto de pesquisa acabou no final de julho. Quem souber de alguma coisa.... fico grato. heheh

2. Pra variar, tem a dica de mais uma seleta estréia na blogosfera. O jornalista Mino Carta começou hoje o seu Blog do Mino. Também tem um
vídeo especial da revista Veja: "Lula é o único político brasileiro a participar das cinco eleições diretas para presidente. Bolívar Lamounier fala de seu eleitorado. Márcia Cavallari analisa sua posição em pesquisas. Eleitores argumentam a favor e contra o candidato".

Domingo, Setembro 03, 2006

Justiça abre precedente para Sarney e censura blog no Amapá II

* do blog Cabruuum!!!:

"Em Macapá várias pessoas começaram a estampar em camisetas a caricatura do senador. Desde então, o blog de Alcinéa tem sido representado diversas vezes por Sarney, com pedidos de indenização que já totalizam um milhão de reais. Numa das últimas representações, o advogado (que é funcionário do Senado) chamou os blogueiros e jornalistas que trataram do assunto de "um bando de criminosos que usa a internet para cometer crimes".
continua

* do Blog do Tas:

"Com esse ato histórico de José Sarney, o Brasil se une a China no panteão dos países mais atrasados quando o assunto é liberdade de expressão na internet. Aliás, nos seus 50 anos de vida pública Sarney sempre se colocou na vanguarda do atraso. Lambe as botas de quem está no poder sem se importar com partidos ou ideologia. Apoiou a ditadura militar, depois Tancredo, FHC, Lula... Tudo para não sair de perto do poder. A cara-de-pau e a fome por um carguinho público dele, como sabemos, não tem limites. Nem éticos nem geográficos".
continua

Ezequiel Vieira

Sábado, Setembro 02, 2006

Justiça abre precedente para Sarney e censura blog no Amapá

atualizado em 05/09/06

A blogosfera por natureza até pode ser livre, mas por nossas terras se fez uma exceção. A Justiça, em um precedente que jurava que não iria acontecer, se curvou aos caprichos de El- Bigodon e tirou da rede o blog da jornalista Alcinéa Calvacante. Empolgado, agora não duvido que a próxima meta seja a remotada da tentativa de proibir o mecanismo de busca do Google de incluir, em seus resultados, textos contrários a ele.

"SARNEY CONSEGUE TIRAR MEU BLOG DO AR


Revendo seu posicionamento anterior, o juiz eleitoral Luiz Carlos Gomes dos Santos acatou seis pedidos de liminar da coligação do senador José Sarney (PMDB-AP) e determinou hoje que sejam retirados do ar seis “posts” do meu blog http://alcinea.zip.net e comentários de leitores, chegando ao absurdo de mandar retirar até os comentários onde os leitores me parabenizam pela minha luta pelo direito à liberdade de expressão.

Os posts que o TRE-AP determinou que fossem retirados são os seguintes:
- Gracinha do Sarney
- O blog Repiquete está fora do ar
- Elections: climat tendu dans l’Amapá (transcrito do site www.brasilyane.com)
- Sarney se queixa ao bispo (transcrito do site www.claudiohumberto.com.br)
- Desistam. Suas ameaças não vão me calar
-e a relação de links para blogs e sites divulgada dia 27.
No momento em que eu estava cumprindo a determinação judicial, o UOL no maior desrespeito ao assinante, aos leitores e à liberdade de expressão, tirou o meu blog do ar, repetindo a presepada que já havia feito com a minha irmã Alcilene Cavalcante no dia 24.
O meu blog alcinea.zip.net era o mais lido e comentado do Amapá. Recentemente, num concurso foi eleito “O blog mais bacana do Amapá”.Mas não vou me calar. Agora estou aqui no http://alcinea.blig.ig.com.br.
Estou negociando asilo para o meu blog no exterior, portanto ainda hoje estarei também no endereço http://alcinea.blog.com."

Post do Blog do Malini: Declaração de independência da blogosfera.

Sexta-feira, Setembro 01, 2006

"Só há uma vergonha, perder"

O voto e a ética. Esse foi o tema da palestra de ontem à noite no auditório da Rede Gazeta. Esperava ouvir um discurso de desilusão com a política, mas o que encontrei foi uma longa análise sobre o longo processo que constituiu o frágil sistema político no Brasil. Só lembrou Jefferson Péres por aquilo que não destacado - Péres, depois de anos de vida pública, só agora, aos 74 anos, decidiu deixar a política porque se descobriu muito decepcionado com ela.

Um dos palestrantes da noite foi o professor da Ufes e diretor do instituto de pesquisa Futura, João Gualberto Vasconcelos. Tendo como apoio o livro Coronelismo, enxada e voto (Victor Nunes), Vasconcelos fez algumas ponderações para concluir que nós ainda mantemos uma estrutura social que ainda repete muito o contexto arcaico e de troca de favores que sempre caracterizou a república brasileira.

1. A mobilização pelo voto sempre se deu por uma motivação que nunca pertenceu à realidade do eleitorado. Se não há utilidade no voto, o ato de votar não tem nenhuma signicação a não ser porque no dia da leição o voto pode ser trocado por um favor.

2. Ao contrário do que acoteceu em outros países, nós não fizemos uma conquista do voto e da cidadania por uma luta, revolução ou um grande movimento social. Vasconcelos afirma que isso foi uma construção copiada de fora pelas elites da época. "Uma estrutura copiada não pertence à sociedade. Se a gente for pensar, elas são estruturas alienadas e alienantes".

3. O nosso sistema político se articulou para que o cidadão deposite o seu voto (sua confiança pessoal) no bem-feitor, no bom e velho autor de favores - o voto é o discurso do outro.